Industriais pedem ao Presidente dos EUA para não bloquear exportações de gasóleo
Mais de trinta organizações representantes do setor petrolífero americano e câmaras de comércio federais e locais pediram a Donald Trump que não proíba as exportações de gasóleo americano, porque isso provocaria aumento de preços e problemas de abastecimento.
O chefe de Estado norte-americano declarou na terça-feira estar a favor de uma proibição das exportações de gasóleo americano, numa altura em que os preços dos combustíveis dispararam devido à guerra no Médio Oriente.
“Exortamos-vos a rejeitar os apelos para proibir ou limitar as exportações de gasóleo e outros produtos” petrolíferos, escreveram estas organizações numa carta endereçada na quarta-feira ao presidente e divulgada hoje.
Segundo os signatários, tal decisão “provocaria uma produção inferior de combustível, fornecimentos mais apertados e um aumento de custos para os lares americanos, agricultores e camionistas”.
As organizações afirmam que as refinarias do país “funcionam a plena capacidade para abastecer os Estados Unidos e para ajudar a estabilizar o mercado mundial de combustíveis”, acrescentam que produzem mais do que a procura nos EUA, o que lhes permite exportar para a América Latina e Europa.
Consequentemente, segundo eles, uma proibição de exportação também deixaria um vazio que os concorrentes das refinarias americanas se apressariam a preencher.
Andy Lipow, analista da Lipow Oil Associates, explicou à agência de notícias francesa AFP que as refinarias, por falta de capacidade de armazenamento para absorver o excesso, seriam obrigadas a reduzir ou suspender a sua produção de gasóleo, mas, ao fazerem isso, “produziriam também menos gasolina, querosene e outros produtos petrolíferos”.
“Isto poderia levar a faltas de gasolina e a preços mais elevados nas bombas”, alertou.
Entre os signatários da missiva dirigida a Donald Trump estão a Câmara de Comércio dos Estados Unidos e de vários estados, assim como o American Petroleum Institute (API) e outras associações profissionais da indústria do gás e do petróleo em estados e regiões muito envolvidos neste setor (Texas, Oklahoma, Luisiana, etc.).
O tema é altamente político nos Estados Unidos, onde a subida dos preços nos combustíveis faz os republicanos temerem uma derrota nas eleições legislativas de meio de mandato, no início de novembro.
O galão (3,78 litros) de gasóleo atingiu um recorde histórico na terça-feira, a 6,53 dólares em média, contra 3,69 dólares um ano antes, segundo a associação automóvel americana (AAA).
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