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Bruxelas diz que liderança na aviação não é garantida e que a Europa “avança devagar”

Bruxelas diz que liderança na aviação não é garantida e que a Europa “avança devagar”

O Comissário Europeu para os Transportes e Turismo afirmou hoje, em Bruxelas, que a liderança da União Europeia em matéria de aviação não pode ser dada como garantida e admitiu que a Europa está a avançar demasiado devagar.
“A Europa está, de facto, na vanguarda, e queremos que assim continue […]. A Europa lidera, mas a liderança não pode ser tida como garantida. É por isso que precisamos de uma nova abordagem”, defendeu o Comissário Europeu para os Transportes e Turismo, Apostolos Tzitzikostas, que falava em Bruxelas, numa iniciativa no âmbito dos Europe Connecting Days.
Tzitzikostas lembrou que a aviação não se limita a transportar as pessoas “do ponto A para o B”, uma vez que também liga regiões, empresas e economias, defendendo que esta é uma das “grandes histórias de sucesso da Europa”.
Segundo os dados avançados pelo comissário, atualmente, o setor da aviação emprega cerca de dois milhões de pessoas na União Europeia, em mais de 7.000 pequenas e médias empresas.
Em 2024, esse setor representava cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) europeu.
Na sua intervenção, Apostolos Tzitzikostas disse que, em 2015, a Comissão Europeia adotou uma estratégia para a aviação, cujas prioridades consistiam em explorar mercados em crescimento, reduzir estrangulamentos e manter padrões elevados de segurança.
Apesar de referir que isto continua a ser importante, ressalvou que o contexto já não é o mesmo, uma vez que, desde 2015, já aconteceu uma série de acontecimentos significativos, nomeadamente, o Acordo de Paris, a pandemia de covid-19, a guerra na Ucrânia e no Médio Oriente.
“O que outrora era um ambiente operacional relativamente aberto e previsível tornou-se hoje mais incerto, mais contestado e, por vezes, diria eu, mais controverso e menos sério”, assinalou.
O setor enfrenta assim uma combinação de pressões, uma vez que as cadeias de abastecimento são mais vulneráveis e, em alguns casos, “dependem excessivamente” de fornecedores externos.
O comissário para os Transportes acrescentou que os aeroportos precisam de investimento para se modernizarem, descarbonizarem e para se tornarem “verdadeiramente multimodais”.
No entanto, admitiu que a Europa “está a avançar demasiado devagar” e que as novas ameaças estão a pôr à prova a segurança e a resiliência da União Europeia.
Os Europe Connecting Days, que decorrem até 01 de outubro, juntando políticos, representantes do setor dos transportes, da indústria e da Comissão Europeia, têm por objetivo colocar a debate medidas e boas práticas para um setor dos transportes mais seguro, sustentável e competitivo na Europa.

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