China anuncia primeiro subsídio aos juros do crédito à habitação
O banco central chinês anunciou um conjunto de medidas para apoiar o crescimento económico, incluindo um corte de 0,25 pontos percentuais numa taxa de financiamento aos bancos e o primeiro subsídio direto aos juros do crédito à habitação.
Em vários comunicados divulgados na terça-feira 29 de setembro à noite, o Banco Popular da China (BPC) detalhou as medidas, uma das quais, anunciada em conjunto com o ministério das Finanças e o regulador do setor financeiro, entra em vigor hoje 30 de setembro e terá a duração de um ano.
O programa destina-se a determinados compradores da primeira habitação e representa a primeira vez que as autoridades fiscais centrais chinesas concedem subsídios diretos aos juros de empréstimos bancários para aquisição de casa por particulares.
Para beneficiar do apoio, os imóveis devem ter menos de 120 metros quadrados e a transação não pode ultrapassar 1,5 milhões de yuan (mais de 190 mil euros).
Os créditos cujo capital seja inferior a um milhão de yuan (cerca de 149 mil euros) poderão beneficiar de um subsídio aos juros equivalente a um ponto percentual anual, durante um período máximo de cinco anos, segundo o documento.
Analistas citados pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post estimaram que os compradores com um empréstimo daquele montante poderão poupar até 50.000 yuan (cerca de 6.600 euros) através do novo programa.
O banco central anunciou também uma redução de 1,75% para 1,5% da taxa de juro aplicada aos empréstimos suplementares garantidos (PSL, na sigla em inglês), com prazo de um ano.
Este instrumento permite ao BPC conceder financiamento a bancos para canalizar crédito para áreas consideradas prioritárias.
O âmbito destes empréstimos será alargado a projetos relacionados com aquilo que Pequim designa como as “seis redes”, abrangendo infraestruturas de água, eletricidade, computação, comunicações de nova geração, redes subterrâneas e logística.
O BPC vai ainda aumentar as quotas de refinanciamento destinadas à inovação tecnológica e à agricultura, com mais 30.000 milhões de dólares (mais de 26.000 milhões de euros) para a primeira área e 75.000 milhões de dólares (66.000 milhões de euros) para a segunda.
A instituição afirmou que continuará a “fazer uso integrado de vários instrumentos de política monetária”.
As medidas foram anunciadas um dia depois de o Conselho de Estado (Executivo), liderado pelo primeiro-ministro, Li Qiang, ter prometido políticas macroeconómicas “mais fortes” para impulsionar a economia e estimular a procura interna, afetada pela fraca confiança dos consumidores.
Analistas citados pela agência Bloomberg consideraram, no entanto, que o impacto das novas medidas deverá ser “muito limitado”, classificando o pacote como um “mini estímulo” destinado sobretudo a assegurar o cumprimento das metas económicas oficiais.
Xing Zhaopeng, do banco ANZ, considerou ainda que Pequim dispõe de margem limitada para efetuar cortes significativos nas taxas de juro enquanto a Reserva Federal norte-americana (Fed) estiver a aumentá-las, devido ao risco de pressão descendente sobre o yuan e de saída de capitais.
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