Bolsas europeias fecham em baixa pressionadas pela inflação e subida do petróleo. PSI resiste
O PSI encerrou a sessão desta quarta-feira com um ganho ligeiro de 0,01%, fixando-se nos 9.666,79 pontos, num dia em que as principais praças europeias não conseguiram escapar a uma correção generalizada.
No índice português, a sessão foi marcada por um desempenho misto entre as cotadas. As maiores subidas foram lideradas pela EDP que avançou 1,36% para 4,843 euros, seguida pela EDP Renováveis, com uma valorização de 0,78% para 12,87 euros, e pela Nos SGPS, que subiu 0,28% para 5,380 euros. Em sentido contrário, as maiores descidas foram registadas pela Ibersol Reg, que caiu 2,08% para 9,91 euros, pela Mota-Engil, com uma perda de 1,07% para 5,100 euros, e pelos CTT Correios de Portugal, que recuaram 1,05% para 6,15 euros.
No resto da Europa, o sentimento foi de correção. O EuroStoxx 50 fechou nos 6.269,02 pontos, uma queda de 0,81% (menos 51,24 pontos), enquanto o índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,50%. O FTSE 100, em Londres, desvalorizou 0,29% para 10.606,00 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,89% para 7.964,51 pontos, e em Frankfurt, o DAX caiu 0,79% para 25.199,19 pontos. Milão viu o FTSE MIB recuar 0,84% para 51.371,98 pontos, e Madrid registou uma queda de 0,47% no IBEX 35, fixando-se nos 19.426,20 pontos.
No mercado de matérias-primas, o petróleo continuou a sua trajetória ascendente, pressionando a economia europeia. O barril de Brent (ICE) subiu 1,16% para 103,78 dólares, enquanto o crude West Texas Intermediate (NYMEX) avançou 2,41% para 91,53 dólares.
No mercado obrigacionista, a yield das obrigações alemãs a 10 anos recuou 3,98 pontos base para 3,58%, refletindo alguma procura por ativos de refúgio. Em Portugal, a yield das obrigações a 10 anos caiu 3,24 pontos base para 4,01%. Do outro lado do Atlântico, as obrigações norte-americanas a 10 anos viram a sua yield subir 4,23 pontos base para 5,28%.
No comentário de fecho de mercados do Millennium investment banking, destaca-se que “Lisboa escapa à correção, mas por pouco”. Os analistas explicam que as bolsas europeias até arrancaram em alta, mas acabaram em baixa, pressionadas pela aceleração da inflação em França e Itália acima do previsto em setembro, um fator agravado pela nova subida dos preços do petróleo.
“ O PSI conseguiu escapar com um ganho muito ligeiro, suportado pelo grupo EDP. À hora de fecho das praças no velho continente, os índices de ações de Nova Iorque seguem em alta, depois do indicador de inflação preferido da Fed ter mostrado menos pressões que as temidas em agosto, ofuscando possíveis receios que poderiam advir da divulgação de que o setor privado norte-americano criou mais emprego que o previsto em setembro, um dado que pode trazer tensões inflacionistas adicionais”, refere a MTrader.
Em termos macroeconómicos, a inflação na Zona Euro continua a ser o principal foco de preocupação. Utilizando o método harmonizado da União Europeia, a inflação em França subiu de 2,6% em agosto para 3,4% em setembro, enquanto em Itália passou de 3,2% para 4,1%, com os custos energéticos a serem o principal fator impulsionador. Estes dados surgem depois de Espanha ter revelado na terça-feira os maiores aumentos de preços em mais de três anos, com a inflação a atingir os 5%. O BCE, que já aumentou as taxas de juro duas vezes este ano para os 2,5%, enfrenta agora uma pressão acrescida para continuar a apertar a política monetária.
Geopoliticamente, o conflito de sete meses no Médio Oriente continua a impactar a economia global. No entanto, segundo casas de investimento como o JPMorgan e o Goldman Sachs, os fluxos de petróleo bruto do Médio Oriente estão a regressar aos níveis pré-guerra.
Os embarques de petróleo bruto recuperaram para 17,5 milhões de barris por dia, ou 98% dos níveis pré-guerra, enquanto os fluxos de produtos como gasóleo e gasolina ficaram em 3 milhões de barris por dia, 58% do patamar pré-guerra.
O Goldman Sachs estima que as exportações de petróleo do Golfo Pérsico tenham recuperado para 23,3 milhões de barris por dia na última semana, sugerindo um mercado global de petróleo praticamente equilibrado em setembro.
Nos EUA, os números do ADP mostraram que o setor privado adicionou 90 mil postos de trabalho em setembro, acima do esperado, denotando uma aceleração face aos 36 mil gerados em agosto.
Logo após o fecho de Wall Street as atenções estarão voltadas para as contas da Micron, um barómetro para os setores relacionados com chips e IA.
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