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Financiar a democracia

Financiar a democracia

Há bens cujo valor social não é totalmente capturado pelo mercado. Têm custos elevados de produção, mas parte relevante dos seus benefícios espalha-se pela sociedade. Paul Samuelson mostrou isso há décadas. O jornalismo pode ser considerado um destes casos. Quando as externalidades positivas não são remuneradas, o mercado tende a produzir menos jornalismo do que aquele de que uma democracia necessita.
Era aqui que devia entrar o Estado, procurando minimizar as falhas de mercado. Apoiar a comunicação social é reconhecer que há valor no processo jornalístico e um interesse público na existência de informação profissional, plural e independente. Uma democracia com media frágeis torna-se ela própria mais frágil. Claro que, qualquer que seja o sistema, deve haver regras transparentes, critérios objetivos, estabilidade e distância face aos diferentes poderes. Não pode ser de outra forma. E não nos podemos esquecer de que este é também um negócio. São empresas que fazem jornais, rádio, televisão, sites e procuram o lucro. Até as do estado.
O combate à desinformação passa por aqui. Mas não começa aqui, muito longe disso. Começa muito antes, em casa e nas escolas. Na formação e no ensino. É aí que se constrói o espírito crítico, a capacidade de avaliação. É aí que se deve aprender a distinguir notícia de opinião, facto de interpretação e perceber que há fontes diferentes. Muito diferentes.
Podemos regular plataformas, exigir transparência aos algoritmos e financiar jornalismo de qualidade. Devemos fazê-lo. Mas nenhuma dessas respostas substitui cidadãos preparados para avaliar a informação, as fontes e formar o seu próprio juízo. Sem essa base, qualquer política pública ficará sempre incompleta.

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