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Lufthansa e Air France-KLM abrem porta a futura troca de ações na TAP

Lufthansa e Air France-KLM abrem porta a futura troca de ações na TAP

A Lufthansa e a Air France/KLM melhoraram as propostas em dinheiro, deixando a possibilidade de troca de ações para uma eventual segunda fase da privatização, apurou o Jornal Económico.
Segundo a Bloomberg, as propostas melhoradas para 44,9% superam os mil milhões de euros. O que deixa a avaliação dos 100% a superar os dois mil milhões de euros.
Na reta da meta, ambas as candidatas à privatização da TAP deram tudo por tudo para serem escolhidas pelo Governo para ficarem com 44,9% da companhia aérea.
Segundo as nossas fontes, a Lufthansa, nas negociações diretas com a Parpública, não fechou a porta a uma troca de ações como parte de um futuro acordo para uma maior participação na TAP, caso o Governo português decida vender mais da companhia aérea. Por agora, na proposta melhorada para a aquisição dos 44,9%, a Lufthansa manteve a estrutura financeira inicial de uma oferta apenas em dinheiro.
Já a Air France-KLM mantém a opção de troca de ações na Best and Final Offer, mas subiu substancialmente a proposta em dinheiro e admite que a troca de ações possa também ficar para uma segunda fase da privatização. A companhia franco-neerlandesa ofereceu inicialmente a troca de ações como um upside ao preço oferecido na componente em dinheiro.
Nas negociações para as propostas melhoradas, as partes estiveram focadas em subir a oferta em dinheiro, para ir de encontro à pretensão do Estado. No entanto a companhia, que tem os Estados françês e holandês como acionistas, comunicou ao Governo português que mantém a disponibilidade para que Portugal adquira ações da Air France-KLM como parte da transação.
Ambas as companhias candidatas à compra da TAP são cotadas, pelo que a valorização das ações é um factor a ter em conta na escolha das propostas.
Em comunicado o CEO da Air France-KLM, Benjamin Smith, disse que “ao longo das últimas quatro semanas, a nossa equipa e os nossos consultores trabalharam diligentemente para reforçar a nossa candidatura, e estou convencido de que esta proposta revista é o melhor caminho a seguir para a TAP, para a sua gestão, para os seus colaboradores e para os seus clientes, bem como para Portugal”.
Para a Lufthansa, companhia totalmente privada, a capacidade financeira permitiu subir a oferta totalmente em dinheiro. Mas também não fecha a porta a uma futura troca de ações, se houver uma segunda fase de privatização, que o Governo já admitiu como possível.
“A nossa proposta reflete a nossa convicção de que, com base no nosso historial comprovado de desenvolvimento bem-sucedido de companhias aéreas de rede, o Grupo Lufthansa é o melhor parceiro para apoiar o crescimento futuro da TAP, reforçar a sua competitividade e continuar a desenvolver o seu papel enquanto companhia aérea de bandeira de Portugal”, disse esta semana a companhia aérea alemã.
Recorde-se que o Executivo de Luís Montenegro deixou em aberto a possibilidade de uma segunda fase de privatização, que seria sujeita a um processo autónomo. O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz já disse publicamente que a preferência do Governo era privatizar a maioria da companhia, mas que o “consenso parlamentar” foi no sentido de privatizar uma posição de 49,9% (5% reservados aos trabalhadores).
De entre os critérios definidos pelo Governo para as propostas pela TAP está o “encaixe imediato” de dinheiro e disponibilidade para reforçar, no futuro, a participação acionista na TAP, ficando nessa altura com a maioria.
O Governo prevê que o vencedor da corrida seja conhecido em meados de outubro. No entanto as nossas fontes são mais conservadoras e dizem apenas que “será este mês”.
Depois de escolhido o vencedor, o Conselho de Ministros terá de aprovar os instrumentos contratuais, como o contrato de compra e venda de ações e o acordo parassocial. Depois, a operação ainda terá de obter a luz verde da Direção-Geral da Concorrência (DGComp) da Comissão Europeia.

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