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Europa tem mais startups mas enfrenta desafio de levar empresas à escala global

Europa tem mais startups mas enfrenta desafio de levar empresas à escala global

O ecossistema europeu de ‘startups’ duplicou o emprego na última década, para cerca de 1,6 milhões de pessoas em 2025, mas a Europa continua a enfrentar dificuldades em transformar as empresas emergentes em negócios de grande escala, segundo um relatório da Europe Startup Nations Alliance (ESNA).
O ESNA Startup Ecosystem Outlook 2026, o primeiro relatório de inteligência da plataforma de dados da organização, analisa dez anos de dados comparáveis sobre criação de empresas, crescimento, emprego, avaliações e capital de risco na União Europeia e nos principais ecossistemas mundiais de ‘startups’.
Segundo o relatório, o emprego no ecossistema europeu passou de cerca de 800 mil pessoas em 2015 para aproximadamente 1,6 milhões em 2025, com o crescimento do emprego a concentrar-se cada vez mais nas empresas que atingiram uma maior escala.
Apesar do crescimento e maturidade do ecossistema europeu, as empresas que atingem essa dimensão continuam a representar uma parcela menor do universo de ‘startups’ do que nos Estados Unidos.
Entre 2015 e 2025, as empresas em fase de escala representaram, em média, cerca de 1,1% do ecossistema da União Europeia, contra 3,9% nos Estados Unidos, apontando a progressão para a escala como um dos principais obstáculos estruturais ao desenvolvimento das ‘startups’ europeias.
A diferença face aos Estados Unidos surge, assim, menos na criação de novas empresas do que na capacidade de estas crescerem e se transformarem em empresas de grande dimensão, segundo a ESNA.
O relatório salienta, contudo, que as empresas europeias apresentam um desempenho forte depois de atingirem essa escala. Em 2025, a receita média das empresas europeias classificadas como ‘centaurs’ e ‘unicorns’ foi superior à das suas congéneres norte-americanas.
No mesmo ano, as empresas do ecossistema europeu geraram uma receita estimada de 141 mil milhões de euros, empregaram cerca de 1,6 milhões de pessoas e atingiram uma valorização conjunta de aproximadamente um bilião de euros.
A União Europeia manteve também a posição de segundo maior mercado mundial de capital de risco (‘venture capital’) em 2025, embora o investimento tenha permanecido em cerca de um sexto do nível registado nos Estados Unidos.
A diferença de financiamento é particularmente acentuada nas maiores rondas de investimento, segundo o relatório.
Para o diretor executivo da ESNA, Arthur Jordão, os dados mostram que a Europa construiu uma base de ‘startups’ “grande e cada vez mais madura”, mas continua a converter poucas empresas em ‘centaurs’ e ‘unicorns’.
“O desafio é menos a criação de empresas e mais o percurso da ‘startup’ até à escala global”, afirmou, defendendo o reforço dos mercados de capitais em fases avançadas, a mobilização do investimento institucional e o aumento da cooperação transfronteiriça no financiamento.
A ESNA foi criada na sequência de uma declaração assinada por 26 Estados-membros da União Europeia, Islândia e Ucrânia, tendo como objetivo reforçar a posição da Europa enquanto líder global no setor das ‘startups’.
A organização tem sede em Lisboa e coordena a implementação dos “EU Startup Nations Standards of Excellence”, uma iniciativa destinada a promover e harmonizar políticas e iniciativas favoráveis às ‘startups’ na Europa.

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