PSI fecha em queda apesar da subida da numa Europa mista afetada pela subida dos preços no produtor
O PSI encerrou a sessão desta segunda-feira, 5 de outubro, em terreno negativo, num dia em que se assinalou o feriado do Dia da Implantação da República em Portugal, mas em que a praça lisboeta operou normalmente. O índice português caiu 0,66%, fixando-se nos 9.354,24 pontos, penalizado pela correção generalizada das principais cotadas, com apenas quatro títulos a escaparem às quedas.
As maiores descidas da sessão foram lideradas pela Teixeira Duarte, que tombou 4,07% para 0,4600 euros, seguida pela Mota-Engil, que perdeu 4,03% para 4,832 euros, e pela EDP Renováveis, que caiu 3,45% para 12,33 euros. A Altri recuou 3,26% para 4,450 euros e a Corticeira Amorim desvalorizou 2,31% para 6,76 euros.
No sentido oposto, a Galp Energia destacou-se como o melhor desempenho do índice, avançando 1,66% para 22,08 euros, impulsionada pela revisão em alta do preço-alvo pelo Barclays.
O Barclays elevou preço-alvo da Galp para 28 euros e mantém a recomendação de compra.
A NOS subiu 0,93% para 5,420 euros, o BCP valorizou 0,60% para 1,1685 euros e a Ibersol registou um ligeiro ganho de 0,21% para 9,74 euros.
No resto da Europa, o sentimento foi misto, com os investidores a digerirem dados macroeconómicos e a acompanharem a volatilidade política em França. O índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 0,36%, enquanto o EuroStoxx 50 encerrou praticamente inalterado, com uma subida marginal de 0,06% para 6.242,14 pontos.
O FTSE 100, em Londres, avançou 0,34% para 10.497,94 pontos, e o DAX alemão ganhou 0,59% para 25.415,59 pontos. O FTSE MIB italiano somou 0,66% para 50.818,38 pontos, e o IBEX 35 espanhol destacou-se ao liderar os ganhos na Europa, ao disparar 1,12% para 19.299,70 pontos. Em contraciclo, o CAC 40 francês foi o principal derrotado, ao recuar 0,80% para 7.834,10 pontos, pressionado pela instabilidade política no país.
No mercado de matérias-primas, o petróleo negociou em sentido contrário. O West Texas Intermediate (WTI) cede 1,02% para 90,18 dólares por barril, enquanto o Brent do Mar do Norte avançou 1,75% para 104,88 dólares.
No mercado obrigacionista, as yields voltaram a subir de forma generalizada. A taxa das obrigações alemãs a 10 anos subiu 3,14 pontos base para 3,49%, enquanto a yield portuguesa para o mesmo prazo avançou 2,94 pontos base para 4,00%. Nos Estados Unidos, a yield das Treasuries a 10 anos escalou 6,17 pontos base para 5,33%, refletindo a expectativa de que a Reserva Federal mantenha uma postura restritiva.
No comentário de fecho de mercados do Millennium investment banking, a casa de investimento salientou que o ânimo vespertino das bolsas europeias, impulsionado pela valorização do setor tecnológico em Wall Street — onde o Nasdaq 100 negociava no seu valor mais elevado de sempre —, foi insuficiente para retirar Lisboa e Paris do vermelho. O Millennium destacou ainda que, em Portugal, apenas Galp, NOS, BCP e Ibersol escaparam à correção, num dia em que a praça lisboeta funcionou normalmente apesar do feriado. Lá fora, França continua pressionada pela instabilidade política, enquanto em Espanha a reação ao anúncio de eleições antecipadas foi positiva.
Em termos macroeconómicos e geopolíticos, o Millennium BCP sublinhou que as empresas com exposição significativa ao Brasil, incluindo Santander, Carrefour e Telefónica, animaram com a vitória de Flávio Bolsonaro frente a Lula da Silva na primeira volta das presidenciais brasileiras, ainda que seja necessária uma segunda volta, prevista para 25 de outubro.
No plano macroeconómico, a nota foi negativa para a subida mais acentuada do que o previsto nos preços no produtor da Zona Euro em agosto, que registou um aumento homólogo de 8,2%, agravando o ritmo face aos 5,8% de julho e superando as estimativas de 7,6%. Este aumento foi largamente impulsionado por um salto de 21% nos custos energéticos, o que gera pressão sobre o Banco Central Europeu para proceder a novos aumentos das taxas de juro.
Em contrapartida, foi revelado que a atividade nos serviços da Zona Euro acelerou o ritmo de expansão em setembro, com o PMI a subir para 53, em linha com o esperado, contrastando com uma perda de momentum nos EUA, onde os preços pagos aceleraram a subida.
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