“Passos Coelho foi o homem certo naquele tempo e Montenegro é o homem certo deste”, diz Carlos Moedas
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, rejeitou as críticas de Pedro Passos Coelho sobre a alegada falta de reformas estruturais por parte do Governo, afirmando que o antigo líder social-democrata está a ser “injusto” na avaliação que faz da ação do atual Executivo.
Em entrevista ao programa Política com Assinatura, da Antena 1, o autarca lisboeta considerou que o Governo tem promovido as reformas possíveis tendo em conta as limitações da atual configuração parlamentar.
“Não estou de acordo com o que ele disse. Está a ser injusto no sentido de que aquilo que diz não tem razão de ser. As reformas que este Governo está a fazer são as possíveis dentro do quadro que existe, que é uma minoria muito difícil”, afirmou.
Carlos Moedas estabeleceu ainda uma distinção entre os contextos políticos enfrentados por Pedro Passos Coelho e Luís Montenegro, sublinhando que ambos correspondem às exigências dos respetivos momentos históricos.
“Passos Coelho foi o homem certo no momento certo, daquele tempo, e Luís Montenegro é o homem certo deste momento”, declarou.
O presidente da autarquia recordou que o antigo primeiro-ministro governou durante o período da troika com uma maioria parlamentar, ao contrário da situação atual. “No tempo da Troika havia uma maioria. Agora são 91 deputados da AD. É muito difícil governar”, argumentou.
Questionado sobre uma eventual intenção de Passos Coelho regressar à política ativa, Carlos Moedas evitou especular, remetendo a resposta para o próprio ex-primeiro-ministro. Ainda assim, mostrou-se convicto quanto à estabilidade política do atual líder do PSD.
“Luís Montenegro vai ter ainda muito tempo como primeiro-ministro. Este ciclo vai ser longo, mais longo do que as pessoas pensam”, afirmou, antecipando também uma vitória da AD nas eleições legislativas de 2029. “O Governo está a ter resultados e as pessoas vão avaliar isso em 2029”, acrescentou.
Na mesma entrevista, Carlos Moedas abordou ainda a polémica em torno do acidente com o Elevador da Glória e o vídeo que circula nas redes sociais, no qual são comparadas declarações suas sobre os contactos com familiares das vítimas.
O autarca acusou o Partido Socialista de promover uma campanha para afetar a sua credibilidade política. “Esse vídeo vai para os mesmos comentadores de sempre que têm uma obsessão pelo Carlos Moedas. Levantam-se de manhã e pensam ‘o que podemos atacar no Carlos Moedas?’”, ironizou.
Moedas foi mais longe e alegou a existência de uma estratégia coordenada para o atingir politicamente. Segundo o presidente da Câmara de Lisboa, há comentadores com ligações próximas ao PS que participam nesse esforço de desgaste. “As ligações são tão fortes ao PS que só podem ou ser parte do PS ou serem parte daquilo que é uma estratégia para descredibilizar e diabolizar o presidente da Câmara”, sustentou.
O autarca classificou como “vergonhosa” a atuação dos socialistas na autarquia em torno da divulgação do vídeo e mostrou-se particularmente indignado por considerar que o caso envolve famílias afetadas pelo acidente.
“Acho vergonhoso e é ofensivo para as famílias ver o PS na Câmara Municipal a fazerem o vídeo, depois pedirem ao tipo das redes sociais para pôr o vídeo, e depois pedirem ao comentador um, dois, três, quatro ou cinco para imediatamente falarem sobre o vídeo”, disse.
“Sinto-me indignado e ofendido com isso. Eles sabem lá o que eu passei”, acrescentou.
Sobre o próprio acidente do Elevador da Glória, Carlos Moedas defendeu que a questão central continua a ser o apuramento de responsabilidades, sublinhando que a Justiça deverá determinar eventuais culpados.
“O grande tema do Elevador da Glória é: qual é a culpa? Quem é que tem culpa? E essas pessoas vão ter de ser chamadas à Justiça”, concluiu.
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