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França em risco de ser “estrangulada pelas taxas de juro”, alerta governador do banco central

França em risco de ser “estrangulada pelas taxas de juro”, alerta governador do banco central

França está em risco de se ver “estrangulado pelas taxas de juro” crescentes e que estão a agravar os custos de financiamento do país, alerta o governador do banco central Emmanuel Moulin. Já na passada semana o banqueiro havia alertado para o risco associado ao disparo nos juros soberanos do país, isto numa altura em que o spread para a Alemanha continua em máximos de 2013.
Em entrevista ao ‘Financial Times’, Emmanuel Moulin avisou que a trajetória da dívida e défice franceses, há muito acima dos referenciais europeus de 60% e 3% do PIB, respetivamente, estão a arrastar o país para uma situação orçamentalmente complicada, pelo que terá de trabalhar para recuperar a confiança dos mercados.
“Há um risco de sermos gradualmente asfixiados pela subida das taxas de juro”, atirou, pedindo consensos políticos para que seja aprovada a proposta de orçamento para o próximo ano. A trajetória de agravamento da dívida não é corrigida já por este documento, mas a sua aprovação permitiria que o défice orçamental ficasse limitado 5%, o que acaba por representar uma melhoria considerável em relação aos anteriormente projetados 6,5%.
Estas perspectivas orçamentais têm contribuído decisivamente para a subida dos juros na segunda maior economia do bloco euro, com as yields dos títulos a 10 anos a aproximarem-se de 5% na sexta-feira, antes de recuarem ligeiramente. A sessão de terça-feira viu o juro soberano a oscilar entre 4,70% e 4,85%.
Ao mesmo tempo, o spread para os títulos alemães de igual maturidade continua acima de 70 pontos, ou seja, em níveis não vistos desde 2013, aquando da crise das dívidas soberanas europeias e o momento de “custe o que custar” do então presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi.
Os receios agora são de um default francês e de alguma incapacidade pela autoridade monetária de segurar a economia francesa tal como fez com a grega, dada a consideravelmente maior exposição do bloco europeu a França e o ambiente de taxas de juro globais mais elevadas do que em 2013. Precisamente nesta linha, Moulin havia já avisado na semana anterior que os franceses não devem contar com a ajuda do BCE, argumentando que tal diminui as responsabilidades coletivas do país.

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