Quem disse que é possível prever o vencedor do Nobel da Literatura?
Haruki Murakami, Anne Carson, Margaret Atwood, Salman Rushdie, Can Xue e Gerald Murnane. Eis alguns dos escritores que emergem, uma vez mais, como candidatos ao Prémio Nobel da Literatura, agora que o anúncio do vencedor de 2026 está ao virar da esquina. Os críticos dividem-se, faz parte, mas os sites de apostas continuam a aliciar o cidadão comum a monetizar as suas previsões.
O Nobel de Literatura distingue-se dos demais por premiar a carreira e obra de um dado autor. De acordo com os estatutos da Fundação Nobel, o galardão é atribuído “à obra literária mais notável que se distinga por um rumo idealista”. Embora a Academia Sueca por vezes invoque uma obra maior como justificação para a sua escolha, o que realmente conta é o impacto global e a contribuição do escritor/a para o mundo das Letras, e não um texto isolado publicado no ano em que o prémio é atribuído.
Foi precisamente isto que aconteceu no ano passado. O Prémio Nobel da Literatura 2025 distinguiu o escritor húngaro László Krasznahorkai pelo conjunto da sua obra, exigente e extraordinária – com destaque para os romances “O Tango de Satanás” e “A Melancolia da Resistência”, ambos publicados nos anos 80. A Academia realçou, então, tratar-se de “uma obra persuasiva e visionária, que, em pleno terror apocalítico, reafirma o poder da arte.”
O anúncio oficial do vencedor do Nobel da Literatura 2026 terá lugar dentro de dois dias, a 8 de outubro, mas no reino das apostas as placas tectónicas começaram a agitar-se muito antes do dia “D”. Dados coligidos em setembro de 2026 pelas principais plataformas de apostas, como a britânica Ladbrokes, e por sites de previsões, como o Kalshi, este ano, os autores asiáticos reúnem a maior fatia das preferências.
A escritora chinesa Can Xue é a grande favorita dos apostadores. O seu universo surrealista e experimental tem vindo a cativar os observadores do mundo literário, logo seguida pelo eterno favorito do público, o japonês Haruki Murakami. Após anos a perfilar-se como o “próximo Nobel da Literatura” será este o ano da sua consagração?
Candidatos das mais diversas geografias, portugueses incluídos
Os demais autores que integram a lista de ‘candidatos’ ao galardão evidenciam uma enorme diversidade geográfica, assim como estilística. O autor indiano Amitav Ghosh, conhecido pelos seus ensaios e frescos históricos, desperta grande interesse, pelo menos em alguns sites de previsões. Já o controverso escritor britânico-americano Salman Rushdie e a mexicana Cristina Rivera Garza estão entre os outsiders mais credíveis, tendo em consideração obras suas que deixaram uma marca duradoura na história da literatura contemporânea.
Portugal é outro dos países com razões para estar em suspenso. Lídia Jorge e Gonçalo M. Tavares também surgem associados às previsões internacionais, embora em mercados de apostas diferentes. Lídia Jorge, de 80 anos, autora de “A Costa dos Murmúrios” e “Misericórdia”, aparece em 7.º lugar nas cotações da britânica Ladbrokes, com 20/1, ao lado de alguns dos maiores nomes da literatura mundial. A lista é liderada pela chinesa Can Xue, seguida por Haruki Murakami, Gerald Murnane e Thomas Pynchon.
Mas Lídia Jorge não está sozinha. Gonçalo M. Tavares, de 56 anos, também figura em bolsas internacionais de apostas como possível vencedor, segundo informação divulgada pela Lusa. O escritor, traduzido em dezenas de países, reforçou este ano o reconhecimento internacional ao conquistar o prestigiado Prémio Formentor das Letras, tornando-se o primeiro português a recebê-lo.
Com efeito, Portugal tem motivos para ambicionar conquistar um segundo Nobel da Literatura, 28 anos depois de José Saramago. Mas, como todos os anos acontece, certezas não há. A Academia Sueca já por diversas vezes surpreendeu o mundo distinguindo nomes ausentes das listas de favoritos. A 8 de outubro – às 12h00 em Portugal continental – saberemos quem receberá o prémio, quando, e como manda a tradição, a secretária permanente da Academia Sueca, Ingrid Carlberg, abrir as portas da Bolsa de Estocolmo para revelar o nome do 123.º autor galardoado na história do Nobel da Literatura.
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