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Banqueiros pedem contas equilibradas e estabilidade no OE2027

Banqueiros pedem contas equilibradas e estabilidade no OE2027

Os CEO de três dos maiores bancos privados a operar em Portugal defenderam, na Money Conference, que o Orçamento do Estado para 2027 deve preservar o equilíbrio das contas públicas e garantir estabilidade a famílias e empresas. A conferência foi organizada pelo Diário de Notícias e pelo Dinheiro Vivo, em Cascais.
“É muito importante termos chegado até aqui com um equilíbrio das contas públicas, não vamos estragar agora quando o cenário à nossa volta não é mais favorável”, declarou João Pedro Oliveira e Costa, presidente do BPI. O banqueiro sublinhou que, apesar da mudança de partido e de governo, o país deve manter o caminho de redução do peso da dívida no PIB.
Oliveira e Costa admitiu ser favorável a uma procura permanente de redução da despesa pública, mas lembrou que é preciso “coragem para dizer onde”. Defendeu que o Estado use a inteligência artificial para evitar novas contratações quando se reformarem os atuais funcionários. Alertou ainda para a competitividade fiscal, não só para as empresas, mas também para a retenção de jovens e talento em Portugal.
O presidente do BPI destacou ainda a credibilidade externa conquistada pelo país. “Ganhámos credibilidade externa que é importante manter”, afirmou. “Portugal angariou uma reputação que lhe permite pagar menos na dívida de longo prazo do que outros países. Isso aconteceu em parte pela maneira como nos comportámos. O nosso país vizinho não tem um Orçamento há quatro anos”, explicou.
Miguel Maya, CEO do BCP, concordou que é “importante que o Orçamento mantenha as contas equilibradas e que concentre os apoios nas classes mais desfavorecidas”. Mas disse estar mais preocupado com o que não consta do documento. “Estou mais preocupado com o que não está no Orçamento, que são as transformações que se têm de fazer na habitação, na Justiça, no licenciamento”, elencou.
O gestor insistiu na necessidade de “contas certas” e avisou que o rácio da dívida portuguesa “não deve ser comparado com outros países”. “Estamos muito mais vulneráveis a um setor e, se houver um problema nesse setor, o impacto que tem no país é muitíssimo superior do que numa economia mais diversificada”, sublinhou.
Isabel Guerreiro, CEO do Santander Portugal, resumiu o que espera do Orçamento em duas palavras: “previsibilidade e estabilidade”. “O ambiente internacional já está imprevisível para estarmos a acrescentar mais imprevisibilidade”, atirou, referindo-se também à imprevisibilidade regulatória, administrativa e fiscal.
A gestora pediu ao Estado licenciamentos mais rápidos, a execução do PRR e a manutenção de contas públicas equilibradas. Apelou também ao “sentido de Estado” dos partidos, para que o Orçamento possa ser bem executado no próximo ano, apoiar bons projetos e permitir que “Portugal possa crescer”.
Depósitos: “deixar o mercado funcionar”
Os banqueiros reagiram também às declarações do Governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, que na mesma conferência salientou que as taxas dos depósitos praticadas no país estão abaixo da média europeia e prometeu “novidades para breve”.
“A remuneração em Portugal é marginalmente abaixo da mediana da Zona Euro”, respondeu Miguel Maya, que apelou a que se “deixe o mercado funcionar, com regras claras”. O CEO do BCP avisou que uma intervenção baseada numa visão parcial pode ser contraproducente: “Quando nos limitamos a ver numa determinada perspetiva sem ter a preocupação de ver o conjunto, a probabilidade de criarmos incentivos errados é maior.”
O líder do maior banco privado português contestou a “ideia errada” de que os depósitos são dinheiro parado. “Os bancos transformam recursos em crédito e estamos com um preçário do crédito altamente competitivo”, afirmou. Lembrou que o sistema financeiro “teve oito anos com taxas de juro do BCE negativas e em Portugal essa negatividade não foi passada aos depositantes”. E acrescentou: “A mesma coisa para a Euribor, sete anos com taxas negativas e os bancos não passaram isso aos clientes.”
Também Isabel Guerreiro defendeu que “o mercado português tem das melhores condições de crédito da OCDE” e que os clientes podem escolher entre bancos e entre vários instrumentos de poupança. “Existem muitos outros produtos além dos depósitos para remunerar os clientes”, disse.
Os banqueiros participaram num Painel intitulado “O Estado da Nação na Banca”, juntamente com José Azevedo Pereira – CEO do Banco Montepio; Luís Pereira Coutinho – Administrador Executivo da Caixa Geral de Depósitos; Mark Bourke – CEO do Novobanco; e
Sérgio Raposo Frade – CEO do Crédito Agrícola.

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