Novas mexidas no IRS dão alívio fiscal até 669 euros
As mexidas no IRS previstas na proposta do OE2027 que passam pelas atualizações dos escalões em 3,88%, e que incorporam já o corte de taxas até ao 6.º escalão previsto para este ano, vão resultar num alívio para os trabalhadores dependentes. Simulações da consultora EY para o Jornal Económico, apontam para “poupanças” anuais entre 36,57 e 668,45 euros para rendimentos brutos entre 1.500 e 5.000 euros.
Veja aqui as simulações
Contribuintes com rendimentos intermédios e médio-altos são os que beneficiam de uma poupança anual mais elevada. É o caso de contribuintes casados em que cada um ganhe 10.000 euros brutos mensais, que terão uma variação no rendimento líquido anual de 1.397 euros. Contudo, em termos relativos, considerando o efeito conjunto das reduções das taxas até ao sexto escalão e da atualização dos escalões, o impacto tende a ser mais expressivo nos níveis remuneratórios intermédios. Nos rendimentos mais baixos, a poupança é necessariamente mais reduzida, uma vez que a coleta de IRS já é limitada.
“As alterações nos escalões do IRS traduzem-se num aumento do rendimento líquido para todos os níveis remuneratórios analisados, embora com impactos diferenciados”, explica ao JE Anabela Silva, partner da EY, dando conta que, em termos relativos, o impacto tende a ser mais expressivo nos salários intermédios entre 2.000 euros a 2.500 euros mensais. Segundo a fiscalista, a alteração dos limites de todos escalões acaba por ter também um impacto positivo para todos os níveis remuneratórios. Salienta ainda o aumento do limiar mínimo do rendimento coletável para aplicação da taxa adicional de solidariedade (de € 80.000 para € 89.995), numa medida que levará à aplicação da taxa de solidariedade apenas para os contribuintes do último escalão.
Vamos a exemplos. Um trabalhador solteiro, sem filhos, com um salário bruto de1.500 euros por mês, terá uma poupança anual de 36,57 euros (cerca de três euros mensais) pela atualização dos escalões do IRS e de 65,38 euros (5,4 euros por mês) pelo corte das taxas ainda pendente de aprovação no Parlamento.
Este mesmo trabalhador solteiro, sem filhos, com um salário bruto de 2.000 euros por mês, o seu rendimento líquido anual aumenta de aproximadamente 20.832 euros para 20.911 euros, o que representa uma poupança adicional de cerca de 79,32 euros por ano, ou 6,6 euros mensais, apenas por mera atualização dos escalões. Acresce a poupança de 100,38 euros resultante da redução das taxas ainda pendente de aprovação. Ou seja, este contribuinte tem um acréscimo de rendimento líquido anual de 201 euros, cerca de 17 euros mensais.
Se o rendimento mensal for de 2.500 euros, a poupança dos contribuintes solteiros sobe para cerca de 160 euros por ano, apenas por mera atualização dos escalões, a que acresce a poupança de 133,35 euros resultante do corte das taxas. O valor duplica para os contribuintes casados, com ou sem filhos, com o mesmo salário bruto, elevando para 320 euros o acréscimo do rendimento líquido anual devido à atualização dos escalões. Acresce, neste caso, 266,7 euros da redução de taxas, num total de 587 euros anuais.
Já para rendimentos de 5.000 euros mensais ou superiores, a poupança individual para contribuintes solteiros ascende a 334,23 euros anuais apenas por mera atualização dos escalões, a que acresce a poupança de 171,38 euros, resultante da redução das taxas. Contas feitas, neste caso, o acréscimo do rendimento líquido anual ascende a 506 euros, ou 42 euros por mês. Com o mesmo salário bruto, os contribuintes casados, com ou sem filhos, asseguram uma poupança anual de 668,45 euros e mais 342,76 euros pelo corte de taxas do IRS previsto para este ano. Ou seja, um acréscimo de rendimento líquido anual total de 1.011,21 euros.
Para contribuintes com rendimentos mensais de 10.000 euros, a poupança ascende a 698,38 euros, devido ao aumento do limite do rendimento coletável para aplicação da taxa adicional de solidariedade (apenas por mera atualização dos escalões, a que acresce a poupança de 171,38 euros resultante da redução das taxas ainda pendente de aprovação).
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