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FC Porto fecha época com resultado líquido negativo de 21,1 milhões de euros

FC Porto fecha época com resultado líquido negativo de 21,1 milhões de euros

Apesar da conquista do 31.º Campeonato Nacional e do regresso à UEFA Champions League, o FC Porto – Futebol, SAD fechou o exercício 2025/26 com um resultado líquido negativo de 21,1 milhões de euros, um contraste marcante com os 39,2 milhões de euros positivos da época anterior.
Segundo o comunicado de resultados divulgado esta quinta-feira, o resultado atribuível aos detentores de capital da empresa-mãe foi negativo em 26,3 milhões de euros, uma quebra de 167% face a 2024/25.
A SAD explica que o prejuízo resulta da participação na Liga Europa — em vez da Champions League — não compensada pelos 56 milhões de euros gerados com a venda de passes de jogadores. Foi uma opção desportiva deliberada: nenhum jogador transferido pertencia ao núcleo de jogadores mais utilizados na época anterior, uma estratégia de manutenção do plantel que pesou nas contas, mas que reforça a aposta para a nova época.
O mercado de Verão registou o maior investimento de sempre do Clube numa única janela de transferências: cerca de 110 milhões de euros, que ascendem a aproximadamente 120 milhões considerando as operações do mercado de inverno. Este esforço explica o aumento de 22% dos custos operacionais, para 180,1 milhões de euros, e o salto de 38% nas amortizações e perdas por imparidade de passes, que atingiram 47,5 milhões de euros.
Do lado das receitas, o quadro é positivo: os proveitos operacionais cresceram 13% (mais 17,8 milhões de euros), com destaque para os prémios UEFA (+39%), o merchandising (+31%, para 14,5 milhões, valor recorde), a bilhética (+33%, para 18,1 milhões, também o máximo de sempre) e a publicidade (+8%). Os Lugares Anuais esgotaram pela primeira vez, com 31.665 vendidos.
A alienação da subsidiária Porto Seguro à MDS gerou uma mais-valia relevante, enquanto o earn-out relativo ao EBITDA de bilhética no âmbito da venda da Porto StadCo à Ithaka foi integralmente cumprido, no valor de 15 milhões de euros — elevando para 30 milhões o valor associado à alienação de 30% da StadCo. Apesar disso, o resultado operacional consolidado ficou-se pelos 2,6 milhões de euros positivos, contra 68,5 milhões na época anterior, penalizado pelo menor resultado com cedências de passes (-44%, para 55,9 milhões).
O passivo corrente disparou 47%, para 270,3 milhões de euros, e o capital próprio agravou-se para menos 29,7 milhões. Em contrapartida, a SAD anuncia uma redução da dívida financeira líquida em 29 milhões de euros, agora estruturada em prazos mais longos e com custo médio mais baixo, garantindo o cumprimento integral das regras de sustentabilidade financeira da UEFA.
A administração salienta que, somando as duas últimas épocas, o resultado líquido acumulado é positivo em 12,5 milhões de euros, num período em que o Clube não disputou a Champions League. Em campo, o plantel valorizou-se para 471 milhões de euros, o mais alto de sempre e o maior da Liga Portuguesa, contra os 392 milhões registados em 2025.
Com o campeonato no bolso, um plantel reforçado e a Champions League de regresso, o FC Porto aposta agora em que a época 2026/27 traga a combinação que faltou: resultados desportivos e financeiros em simultâneo.

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