FMI destaca melhoria da estabilidade financeira em Portugal
O FMI considera que as perspetivas de estabilidade financeira em Portugal melhoraram, realçando a redução do peso da dívida das famílias e a diminuição dos diferenciais das taxas de juro da dívida soberana face aos países da zona euro.
Segundo o mais recente Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global, divulgado hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), os balanços das famílias portuguesas registaram melhorias nos últimos anos.
Portugal integra o grupo de países onde os empréstimos à habitação com taxa variável representam menos de metade do crédito hipotecário total. De acordo com o FMI, as famílias estão menos expostas a aumentos das taxas de juro.
O rácio de serviço da dívida das famílias, que mede o peso dos pagamentos de juros e amortizações no rendimento disponível, situa-se em cerca de 6%, abaixo dos níveis registados desde 2022.
No que respeita à dívida soberana, a instituição liderada por Kristalina Georgieva destaca a redução dos diferenciais de rendimento entre as obrigações portuguesas e os títulos emitidos pelos países considerados mais seguros da zona euro.
Segundo a instituição, esta evolução reflete a melhoria das contas públicas portuguesas, as medidas do Banco Central Europeu (BCE) destinadas a evitar a fragmentação financeira e o impacto dos mecanismos europeus de apoio, incluindo o programa Next Generation EU.
O relatório acrescenta que a emissão de dívida comum europeia contribuiu para reduzir a vulnerabilidade dos mercados obrigacionistas a choques sistémicos, limitando os riscos de contágio financeiro entre os países da região.
O FMI acrescentou no relatório que a nível global os mercados financeiros têm permanecido resilientes, apoiados por um crescimento económico sólido e por resultados robustos das empresas, mas alerta que os riscos para a estabilidade financeira continuam elevados.
Entre as principais ameaças identificadas estão uma eventual correção dos ativos ligados à inteligência artificial, caso o investimento e a rentabilidade do setor se revelem inferiores ao esperado, um cenário que poderá ser agravado pelo aumento da alavancagem financeira e pela concentração das exposições.
O Fundo alertou ainda para o aumento da inflação ou preocupações com as finanças públicas poderão desencadear uma subida acentuada das taxas de juro da dívida soberana, com repercussões alargadas nos mercados financeiros.
Ao mesmo tempo, os ciberataques, cada vez mais sofisticados, constituem um risco crescente numa economia financeira cada vez mais digital e interligada.
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