CGD lança emissão de 500 milhões de euros em dívida “verde” a quatro anos com juro de 4,45%
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) avançou esta segunda-feira com uma emissão de dívida de 500 milhões de euros com juros a rondar os 4,4%. Trata-se de uma emissão de obrigações verde sénior preferencial de um banco, no valor de 500 milhões de euros, com maturidade em outubro de 2030 (cerca de 4 anos), callable ao fim de 3 anos, taxa de juro variável, e com indicação de preço inicial de mid-swaps + 100 pb.
Segundo a Bloomberg, as obrigações têm maturidade de 4 anos, com opção de reembolso antecipado (call) pelo emitente a partir do 3.º ano. Ou seja: o emitente pode reembolsar os títulos após 3 anos (normalmente ao par).
Portanto a emissão tem vencimento a 20 de outubro de 2030, mas a CGD poderá reembolsar antecipadamente os investidores a 20 de outubro de 2029. Para esta emissão (4NC3, maturidade em outubro 2030), o mid-swap de referência é o de 4 anos cerca de 3,45%. Assim, MS + 100 bp corresponde a um juro de cerca de 4,45%.
Esta é a nova incursão da CGD no mercado de financiamento sustentável após ter emitido, em maio, 500 milhões de euros em dívida sénior preferencial “verde” a seis anos, com cupão de 3,625% e reembolso antecipado ao fim de cinco anos. Naquela altura, a procura ultrapassou 1,9 mil milhões de euros, com os investidores ESG a representarem cerca de 80% da alocação.
Em setembro de 2025, o banco público tinha já colocado 500 milhões de euros em obrigações “verdes” a seis anos, a uma taxa de 3%, numa operação em que a procura superou sete vezes a oferta.
A operação, que poderá ser precificada ainda hoje, recebeu pedidos superiores a 2,25 mil milhões de euros, excluindo o interesse dos próprios bancos coordenadores, segundo informação avançada pela Bloomberg.
Em detalhe, o cupão será fixo até à data de reembolso antecipado. Caso a Caixa não exerça essa opção, a remuneração passará a ser variável, calculada trimestralmente com base na Euribor a três meses mais uma margem, segundo as características divulgadas. A liquidação está prevista para 20 de outubro de 2026 e a emissão destina-se apenas a contrapartes elegíveis e clientes profissionais.
A dívida é classificada como sénior preferencial, o que confere aos investidores prioridade no reembolso face a outras tipologias de dívida do banco. A operação inclui ainda cláusulas de clean-up call (75%), alterações fiscais e desqualificação regulamentar ou de capital.
Destino dos fundos
O montante captado será usado para financiar ou refinanciar projetos ambientais elegíveis, ao abrigo do Sustainable Funding Framework da CGD, atualizado em setembro de 2025 e alinhado com os princípios de obrigações verdes da ICMA. O framework do banco público prevê a afetação integral das receitas líquidas a categorias de projetos verdes elegíveis.
A coordenadora do livro de ordens é o HSBC, numa operação liderada pela CaixaBI, Crédit Agricole CIB, Deutsche Bank, HSBC, Morgan Stanley e NatWest. A emissão tem ratings esperados de Baa1, da Moody’s, e A, da S&P.
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