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“TAP? Lufthansa comprou a preço de saldo uma rede altamente estratégica”

“TAP? Lufthansa comprou a preço de saldo uma rede altamente estratégica”

Está fechada a primeira fase da reprivatização da TAP com a Lufthansa a garantir a compra de pelo menos 44,9% do capital da TAP, mas o processo deixa algumas dúvidas a Tiago Faria Lopes, piloto da TAP e ex-presidente da SPAC – Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil, ouvido ao início da tarde na “SIC Notícias”.
O Governo selecionou esta quarta-feira, 14 de outubro, a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.
A decisão, anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, foi tomada em Conselho de Ministros, após a análise das propostas vinculativas finais melhoradas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa, os dois grupos que chegaram à fase decisiva da privatização da companhia aérea portuguesa.

Tiago Faria Lopes, piloto da TAP e ex-presidente da SPAC – Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil, começa por realçar que o grupo alemão “não acabou de comprar uma participação na TAP mas sim uma rede altamente estratégica a preço de saldo. E sabem muito bem que o fizeram”.
Muito cético a propósito de todo este processo, Tiago Faria Lopes avança que o mais certo é que os alemães imponham uma centralização de poderes a prazo: “Poderá não ser agora mas eles sabem que é uma questão de tempo porque compraram esse tempo e vão esperar para ver”.

“Temos também a questão da cedência de slots e no momento em que alguém tenha que ceder, será sempre a Lufthansa e nunca a TAP. Este aumento de frota e de postos de trabalho poderá estar comprometido”, defende o antigo dirigente do SPAC.

Quanto ao facto de se manter o hub em Portugal, Tiago Faria Lopes tem muitas dúvidas que isso seja possível neste acordo: “Quem garante o hub em Portugal? Isso está escrito nalgum lado? Sabemos muito bem que se esse hub não for rentável e que é preferível passar essa centralização para Frankfurt, irá certamente fazê-lo”. Para este piloto, a mesma lógica é válida para as rotas com as ilhas e com a diáspora: “O Estado português não pode obrigar a Lufthansa a manter rotas com as ilhas e com a diáspora, até porque não tem essa ligação com essas comunidades”.

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