ANAV diz que escolha da Lufthansa “pode dar solidez à TAP” mas sucesso “depende das garantias”
A ANAV – Associação Nacional de Agências de Viagens, reagiu à escolha da Lufthansa como parceira estratégica da TAP no processo de privatização da companhia aérea de bandeira. Miguel Quintas, presidente da ANAV – Associação Nacional de Agências de Viagens considera que a operação “é relevante para o posicionamento estratégico da TAP” dado o impacto de integração da companhia portuguesa num grande grupo internacional e as possíveis consequências para a oferta de rotas, a competitividade do mercado e os interesses dos passageiros e dos operadores turísticos nacionais.
Em declarações ao Jornal Económico, o responsável diz que “a escolha da Lufthansa pode dar à TAP maior solidez e capacidade para crescer. Mas, na perspetiva do mercado e das agências de viagens, o sucesso desta operação dependerá das garantias que trouxer: preservar e reforçar o hub de Lisboa, aumentar a conectividade e proteger a livre concorrência.”
A decisão, formalizada após reunião extraordinária do Conselho de Ministros, é um dos momentos mais estruturantes da década para o turismo nacional. Na reação o presidente da ANAV – Associação Nacional de Agências de Viagens, que foi dos protagonistas mais interventivos do ecossistema turístico português ao longo de todo o processo, manifestou reiteradamente a sua preocupação quanto ao futuro. Para a ANAV, “esta não é apenas uma decisão empresarial; é uma decisão de política de Estado que vai condicionar a conectividade aérea de Portugal, a distribuição turística pelo território e a competitividade do destino nos próximos vinte anos”.
A Lufthansa ganhou a corrida à TAP impondo-se à concorrente Air France-KLM na corrida à aquisição de 44,9% do capital.
A proposta da Lufthansa valorizou o crescimento da TAP no mercado brasileiro, a expansão do hub de Lisboa e o reforço da operação no Porto, além de uma posição alinhada com os planos do Governo para a expansão da capacidade aeroportuária de Lisboa — incluindo o novo aeroporto e o reforço da Portela. A superior capacidade financeira do grupo alemão terá sido decisiva na escolha final.
Para a ANAV, é agora que começa o momento decisivo. “Como já defendemos publicamente, as agências de viagens têm de ser ouvidas e envolvidas neste processo. Precisamos de acesso transparente às tarifas e de condições comerciais que valorizem a distribuição e permitam servir melhor os consumidores”, sublinha Miguel Quintas.
O responsável alerta ainda para o risco de que a integração num grande grupo internacional crie obstáculos à atividade das agências. “A integração num grande grupo deve traduzir-se em mais opções e melhor serviço, sem criar novas barreiras à intermediação. É por esses resultados que avaliaremos esta operação durante os próximos tempos”.
O alinhamento da Lufthansa com o projeto de capacidade aeroportuária de Lisboa e a aposta no Brasil são sinais positivos. Mas uma integração num grande grupo internacional levanta questões legítimas à ANAV: “o que acontece às rotas para África, para as ligações regionais ou para os destinos de interesse turístico que não gerem escala suficiente para um grupo global?”-
A ANAV considera que as agências de viagens e os operadores turísticos nacionais dependem de uma rede de rotas equilibrada e de preços competitivos. A TAP é hoje um instrumento essencial de distribuição turística por todo o território — não apenas para Lisboa. Pelo que, na a associação tem dito que qualquer reconfiguração da rede tem de ter em conta o interesse nacional e o passageiro, e não apenas a lógica de hub de um grupo europeu.
A ANAV tem defendido que é fundamental que o Estado português, mesmo como acionista minoritário, garanta salvaguardas concretas nos acordos que se seguem: manutenção das rotas de interesse nacional, proteção das ligações que servem o interior do país e condições equitativas de acesso para os operadores turísticos.
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