Reclamações contra Agência para o Clima aumentam 30% em 2026. E-Lar domina as queixas
As reclamações dirigidas à Agência para o Clima aumentaram 30% em 2026 face à totalidade de 2025, com os problemas no atendimento, os atrasos na análise de candidaturas e no pagamento de apoios a figurarem entre os principais motivos de insatisfação dos cidadãos, segundo uma análise divulgada pelo Portal da Queixa.
Até 7 de outubro deste ano, o Portal da Queixa registou 52 reclamações contra a entidade pública, acima das 40 contabilizadas durante todo o ano de 2025.
De acordo com os dados analisados, o programa E-Lar é o mais referido pelos consumidores, concentrando 32,69% das reclamações registadas em 2026. Os períodos de maior volume de queixas coincidem com a abertura de candidaturas a programas públicos, altura em que os utilizadores relatam dificuldades na submissão dos processos e indisponibilidade das plataformas digitais.
A qualidade do serviço e do atendimento constitui o principal motivo de reclamação, representando 36,54% do total. Seguem-se as questões relacionadas com apoios e matérias financeiras (21,15%), as falhas das plataformas digitais (17,31%) e as decisões sobre candidaturas (15,38%).
Entre as situações mais frequentemente reportadas estão candidaturas anuladas por alegada falta de documentação. Este tipo de problema representa 15,38% das reclamações registadas este ano, depois de corresponder a 25% em 2025. Os reclamantes contestam decisões relacionadas com documentos como comprovativos de IBAN, certificados energéticos ou comprovativos da situação tributária e contributiva, alegando que esses elementos já tinham sido entregues.
Os atrasos nos pagamentos dos apoios também motivam várias queixas. Num dos casos divulgados pelo Portal da Queixa, um fornecedor que presta serviços ao abrigo do programa E-Lar refere ter trabalhos realizados desde fevereiro ainda por liquidar, apesar de já ter apresentado reclamações anteriores.
A demora na análise dos processos e a falta de resposta a pedidos de esclarecimento são igualmente apontadas pelos utilizadores. Alguns beneficiários do Vale Eficiência afirmam aguardar contacto por parte da entidade para dar seguimento às respetivas candidaturas.
A análise mostra ainda alterações na distribuição das reclamações pelos diferentes programas de apoio. A Mobilidade Verde passou de representar 2,5% das reclamações em 2025 para 17,31% em 2026, refletindo um aumento do peso deste tema entre os consumidores. Em sentido contrário, o Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis reduziu a sua representatividade de 30% para 15,38%.
O Vale Eficiência concentra 19,23% das reclamações deste ano, enquanto 17,31% das queixas não identificam expressamente qualquer programa ou apoio específico.
Em termos geográficos, Porto e Lisboa concentram metade das reclamações registadas em 2026, quando no ano anterior representavam, em conjunto, 32,5% do total.
A Agência para o Clima apresenta atualmente um índice de satisfação de 19,7% no Portal da Queixa.
Citado no estudo, o fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, Pedro Lourenço, considera que “a clareza da informação, a capacidade de resposta e o cumprimento dos prazos são determinantes” para que os candidatos aos apoios públicos consigam acompanhar os processos e beneficiar dos incentivos disponíveis.
Segundo o responsável, a análise evidencia os constrangimentos reportados pelos consumidores no acesso aos apoios públicos e reforça a necessidade de uma resposta “mais eficaz, transparente e orientada para a resolução dos problemas”.
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