Desintoxicação em curso
Há muito tempo que o facto de a TAP ser uma empresa é perfeitamente irrelevante. Serviços, clientes, fornecedores, não interessam nada para a discussão pública. São pormenores. A TAP é um ativo político, que é arremessado de tempos a tempos. Arde em fogo lento. Escalfa. Há mais de década e meia que assim é. Duas comissões parlamentares de inquérito, com 63 reuniões, mais de 310 dias de funcionamento comprovam-no. Tornou-se venenoso, tóxico, principalmente depois da pandemia e dos 3,2 mil milhões de euros de dinheiro dos contribuintes que foram lá enterrados.
Por isso, entende-se perfeitamente a satisfação de Luís Montenegro, de Joaquim Miranda Sarmento e de Miguel Pinto Luz ao anunciarem que será a Lufthansa a tomar conta do negócio. Minoritária, por agora, mas agarrando a gestão assim que for possível. E planeando já ficar com o resto da companhia, o mais tardar até ao final de 2028. Paga agora mais de mil milhões de euros, pode chegar aos 1,2 mil milhões, depois superar os dois mil milhões e, ainda, entregar ações. Mas este dinheiro e as contas que o Governo faz e que apontam como resultado o pagamento do financiamento público que salvou a empresa, mesmo que seja para lá de 2040, são apenas a cereja em cima do bolo. Um bónus.
O essencial é que a TAP saia da esfera do Estado em passo de corrida, apressada, e que tudo fique resolvido até ao final de 2028. É um processo de desintoxicação. Para que já não seja um engulho na campanha para as legislativas de 2029. Pelo contrário, uma entrada na obra feita. Que fique como aprendizagem, agora que o Estado está a reentrar nas empresas. Estratégicas, claro. São sempre estratégicas.
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