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Portugueses preferem viajar cá dentro, mas as viagens ao estrangeiro são as que pesam mais na carteira dos europeus

Portugueses preferem viajar cá dentro, mas as viagens ao estrangeiro são as que pesam mais na carteira dos europeus

Viajar continua a ser uma das grandes paixões dos europeus, mas nem todas as viagens pesam da mesma forma na carteira. Em 2025, os residentes na União Europeia realizaram 1,2 mil milhões de viagens por motivos pessoais e profissionais, mais 1,4% do que no ano anterior, o equivalente a mais 17 milhões de deslocações, segundo dados divulgados pelo Eurostat.
A grande maioria destas viagens teve como destino um país europeu. Cerca de 92% das deslocações dos residentes na União Europeia aconteceram dentro das fronteiras comunitárias, incluindo as viagens realizadas nos próprios países de residência. Ou seja, entre férias, escapadinhas de fim de semana e deslocações profissionais, os europeus continuam a encontrar muitos motivos para viajar sem terem de ir muito longe.
Ao todo, 848 milhões de viagens tiveram como destino o próprio país, representando 70% do total. Outras 264 milhões foram realizadas para países da União Europeia diferentes daquele onde os viajantes residem, correspondendo a 22%. Apenas 8% das viagens tiveram como destino países de fora da União Europeia, sendo que menos de metade destas deslocações extracomunitárias aconteceu fora da Europa. Portugal está entre os países que mais apostam em férias dentro de portas
Se há países onde viajar significa, sobretudo, descobrir ou redescobrir o próprio território, Portugal está entre eles. Em 2025, 85% das viagens realizadas pelos residentes em Portugal tiveram como destino o país, uma proporção que coloca os portugueses entre os europeus com maior preferência pelo turismo doméstico.
Portugal partilha esta posição com a Grécia e a França. Acima deste grupo surgem a Roménia, onde 89% das viagens foram domésticas, e Espanha, com 87%.
No extremo oposto encontra-se o Luxemburgo, onde apenas 5% das viagens tiveram como destino o próprio país. A dimensão territorial ajuda a compreender este resultado: num país tão pequeno, atravessar a fronteira pode ser uma opção natural para quem procura novos destinos. A Bélgica, com 29%, e Malta, com 32%, também registaram proporções reduzidas de viagens domésticas.
Os números mostram que a dimensão e a diversidade de cada território podem influenciar os hábitos de viagem. Em países como Portugal, Espanha ou França, as possibilidades de descobrir diferentes paisagens, cidades, praias e regiões sem sair do país ajudam a manter o turismo interno em destaque.
Viajar para fora custa mais, mesmo quando se viaja menos
É na hora de pagar a conta que a diferença entre viajar dentro ou fora do país se torna mais evidente. Apesar de as viagens domésticas serem muito mais numerosas, os europeus gastaram consideravelmente mais nas deslocações ao estrangeiro.
De acordo com o Eurostat, em 2025, as despesas com viagens dentro dos próprios países totalizaram 266,2 mil milhões de euros. Já as viagens ao estrangeiro representaram 379,4 mil milhões de euros.
Feitas as contas, as viagens internacionais absorveram mais 113,2 mil milhões de euros do que as domésticas, apesar de terem sido menos numerosas. A diferença sugere que sair do país tende a exigir um orçamento mais elevado, seja pelos transportes, pelo alojamento ou pela duração e características das estadias.
O alojamento é a maior fatia da despesa
Independentemente do destino, dormir fora de casa representa uma parte significativa do orçamento. Nas viagens domésticas, o alojamento foi responsável por 34% da despesa total, o equivalente a 90,3 mil milhões de euros. Os transportes surgiram em segundo lugar, com 21%, correspondentes a 56 mil milhões de euros.
Nas viagens ao estrangeiro, estas duas categorias ganharam ainda mais peso. O alojamento absorveu 35% da despesa, num total de 131,3 mil milhões de euros, enquanto os transportes representaram 32%, ou seja, 121,5 mil milhões de euros.
Em conjunto, alojamento e transportes concentraram 67% da despesa nas viagens internacionais. Nas deslocações dentro do próprio país, estas duas componentes representaram 55%.
A diferença ajuda a explicar por que razão umas férias no estrangeiro podem sair consideravelmente mais caras do que uma escapadinha nacional. Mesmo quando o destino não fica muito longe, a necessidade de pagar deslocações internacionais e alojamento fora do país pode fazer subir rapidamente a fatura.
Os dados do Eurostat mostram, assim, duas realidades que convivem no turismo europeu: os residentes continuam a privilegiar as viagens dentro do próprio país, mas é quando atravessam fronteiras que gastam mais dinheiro.
Para Portugal, onde 85% das viagens dos residentes foram domésticas, os números confirmam a importância de um mercado interno que encontra no próprio território alternativas para férias e escapadinhas. Do litoral ao interior, das cidades às regiões vinícolas, viajar sem sair do país continua a ser uma opção relevante. E, para quem decide partir para o estrangeiro, a aventura pode trazer novas experiências — e uma conta bastante mais pesada.

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