França, resultados da tecnológicas nos EUA e tensões geopolíticas dominam a sessão. Petróleo perto dos 110 dólares
Os investidores iniciam a terça-feira atentos à votação orçamental em França, ao arranque da época de resultados das tecnológicas em Wall Street e à escalada no Médio Oriente e na guerra na Ucrânia. Isto depois de uma sessão em que as bolsas europeias fecharam em baixa e o Nasdaq recuperou mais de 1%.
Wall Street. Os principais índices de Nova Iorque fecharam de forma mista nesta segunda-feira. O Nasdaq Composite somou 1,11%, para 26.430,89 pontos, o S&P 500 ganhou 0,41%, para 7.690,73 pontos, e o Dow Jones cedeu 0,07%, para 51.966,03 pontos. A sessão serviu de recuperação a uma semana em que o Nasdaq caiu 4,5%, a pior desde junho, e o S&P 500 recuou 1,95%. Hoje, antes da abertura, divulgam resultados GE Aerospace, General Motors, RTX e 3M. Depois do fecho, a Netflix é a primeira grande tecnológica a reportar, um dia antes de Meta e Tesla.
No que toca ao petróleo, o Brent para dezembro fechou a 109,55 dólares por barril, menos 0,3%, depois de ter chegado a perder mais de três dólares durante a sessão, com a realização de mais-valias após a subida da semana passada para máximos de cinco meses. O WTI para novembro avançou 2,2%, para 103,66 dólares, mas o contrato de dezembro, mais líquido, recuou 0,5%, para 98,54 dólares. O contrato de novembro expira hoje, o que distorce a leitura.
O mercado reagiu a ataques dos Houthis a infraestruturas sauditas e a novos incidentes no Estreito de Ormuz. A Kpler estima que os fluxos de crude do Golfo tenham descido para cerca de 8,5 milhões de barris por dia na semana passada, contra mais de 20 milhões na anterior. Brent crude edges lower, even after Houthi attacks on Saudi infrastructure.
Os juros norte-americanos subiram. A taxa a 10 anos avançou cerca de 6 pontos base, para 5,15%, e a de dois anos subiu para 4,77%. A Reserva Federal está em período de silêncio antes da reunião de 27 e 28 de outubro, e os mercados atribuem cerca de 84% de probabilidade à manutenção das taxas.
Na Europa, a pressão concentrou-se em França: a yield a 10 anos subiu 10 pontos base, para 4,89%, e o prémio face à Alemanha atingiu o nível mais alto desde a crise da dívida da zona euro. A Bund a 10 anos ficou perto de 3,43%.
Clima de instabilidade na Europa penaliza o Euro 50 e ouro beneficia de aumento pela procura de ativos de refúgio. “O Euro Stoxx 50 começou a semana em baixa, num contexto de alguma cautela entre os investidores, perante a persistência das pressões inflacionistas e o agravamento da instabilidade social em algumas das principais economias europeias. Os protestos em França e Itália, associados ao aumento do custo de vida, acrescentam incerteza a um cenário já condicionado pelos preços elevados da energia e pelas preocupações com as contas públicas”, diz Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.
A contestação social poderá dificultar a implementação de medidas de consolidação orçamental, numa altura em que os custos de financiamento já se encontram elevados, acrescenta,
A moeda única voltou a perder terreno com o ruído político em França. Na sessão europeia chegou a cair 0,3%, para 1,1203 dólares, perto do mínimo de 16 meses de 1,1113 atingido na semana passada. Fechou perto de 1,12 dólares.
Nas bolsas europeias o Stoxx 600 recuou 0,9% numa leitura inicial de fecho; o valor final foi de 639,56 pontos (-0,80%), com a banca francesa sob pressão. Os BNP Paribas, Société Générale e Crédit Agricole perderam entre 2,5% e 3,4%, e a Carrefour caiu 2,2%. Frankfurt recuou 1,18%, Madrid 1,49%, Londres 1,08% e Paris 1,11%. O CAC 40 terminou nos 7.868,05 pontos.
Em Lisboa, o PSI desceu 0,78%, para 9.394,18 pontos, penalizado por EDP, CTT e NOS, enquanto a Jerónimo Martins subiu cerca de 2,59%.
Dados macro e resultados: na zona euro, o destaque é o índice ZEW de sentimento económico, às 10h00 em Lisboa, com previsão de 23,6 pontos, contra 25,8 no mês anterior. Nos EUA, às 13h30, são conhecidos os números de construção residencial de setembro, com previsão de 1,30 milhões para as novas obras e de 1,39 milhões para as licenças de construção. Na Europa reportam resultados ou atualizações operacionais ABB, Deutsche Börse, Anglo American, Michelin e EssilorLuxottica.
Todas as atenções estão voltadas para Paris. Os protestos de sábado juntaram cerca de 550 mil pessoas e degeneraram em violência, antes de uma votação crítica no parlamento. O Governo francês anunciou hoje o recolher obrigatório noturno em alguns bairros de Paris e em zonas de quatro cidades do norte de França – Lille, Douai, Wattignies e Denain -, após pilhagens e violência durante protestos no fim de semana.
A votação de hoje incide apenas sobre a parte das receitas do Orçamento do Estado para 2027, que prevê cerca de 54 mil milhões de euros de poupanças. A Moody’s mantém em revisão o rating francês de Aa3, com perspetiva negativa. Registaram-se também manifestações na Bélgica, em Itália e em Portugal.
Na guerra da Ucrânia, Kiev lançou mais de mil drones contra 15 regiões russas, incendiando um terminal petrolífero em São Petersburgo, e a Rússia respondeu com um ataque de grande escala que deixou mais de meio milhão de lares sem eletricidade. Washington suspendeu as sanções contra Moscovo previstas na lei Graham. A ordem executiva, assinada na sexta-feira, suspende todas as secções operacionais da lei relativas à Rússia. Zelensky classificou a decisão de “erro histórico”, e a União Europeia trabalha num 22.º pacote de sanções.
Trump respondeu às críticas de Zelensky nos media, dizendo que Zelenskyy nunca quer que a guerra com a Rússia termine.
O presidente dos Estados Unidos, afirmou esta segunda-feira que está disposto a participar numa reunião com o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente russo, Vladimir Putin, com possível foco no desarmamento nuclear e no fim da guerra da Ucrânia. O encontro poderia ter lugar durante a cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (Apec), prevista para novembro na China, embora ainda não existam propostas concretas. A notícia foi avançada pela Reuters.
Segundo o FT, a Europa prepara-se para conversar diretamente com Putin. Segundo o Financial Times, estão a ser discutidas duas opções principais para terminar a guerra na Ucrânia: congelar o conflito ao longo da atual linha da frente, com a Ucrânia a manter-se fora da NATO; ou a Ucrânia ceder todo o Donbas à Rússia, em troca da sua adesão à NATO.
Já foram abertos canais para uma conversa entre os líderes europeus e Putin. Paralelamente, Trump anunciou um encontro tripartido com Putin e Xi Jinping.
No Médio Oriente, a marinha iraniana acusou os EUA de atacarem uma base naval, no primeiro ataque em sete semanas, e a Guarda Revolucionária indicou que um petroleiro explodiu ao atingir uma mina no sul de Ormuz. Os analistas alertam para o risco de nova escalada antes das eleições intercalares norte-americanas de 3 de novembro.
Mas, Trump afirmou esta segunda-feira que existe uma boa situação em relação ao Irão.
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