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Setor automóvel pede “incentivos mais robustos” para elétricos

Setor automóvel pede “incentivos mais robustos” para elétricos

O setor automóvel em Portugal exige incentivos “robustos” para promover a mobilidade elétrica.
A ACAP – Associação Automóvel de Portugal considera “fundamental assegurar incentivos mais robustos, com verbas adequadas à procura e maior estabilidade e previsibilidade, bem como promover um enquadramento fiscal mais favorável à renovação e descarbonização das frotas empresariais”.
Esta foi a reação da associação à proposta do Governo para o Orçamento do Estado para 2027.
O documento anuncia a renovação do incentivo aos carros elétricos, mas o valor global do envelope e o valor unitário do cheque serão publicados posteriormente.
A Associação considera “claramente insuficiente a atribuição de apoios destinados a um número reduzido de veículos, que se esgotam em apenas duas horas após a abertura das candidaturas, como aconteceu em junho deste ano. É necessário garantir programas de incentivos com maior abrangência e continuidade, que permitam às famílias e às empresas planear os seus investimentos e contribuam efetivamente para acelerar a transição para uma mobilidade com menos emissões”, segundo a entidade que agrega o setor automóvel nacional.
Já uma das principais redes de carregamento de carros elétricos em Portugal defendeu um envelope financeiro na ordem dos 25 milhões de euros em 2027 para comprar carros elétricos; depois dos 10 milhões de 2026, mantendo o cheque nos 4 mil euros, daria para apoiar 6.250 aquisições, quase três vezes o valor atual.
“2027 deve ser um ano de consolidação da transição para a mobilidade elétrica, e não de mudança abrupta de regras. Portugal tem conseguido avançar rapidamente e é importante preservar a confiança de consumidores, empresas e operadores”, disse Luís Santiago Pinto, presidente da Powerdot.
Entre janeiro e setembro, foram matriculados quase 189 mil veículos 100% elétricos, pesando 29% do total do mercado.
A Powerdot defende também que os apoios à compra de carros elétricos devem estar focados nos 100% elétricos.
“O objetivo deve ser criar um quadro estável e previsível, que permita a consumidores, empresas e operadores continuar a investir na eletrificação. A previsibilidade das regras é tão importante como o valor dos incentivos. A proposta de 25 milhões de euros para 2027 pretende precisamente garantir que Portugal mantém o ritmo de adoção dos veículos elétricos, enquanto o mercado caminha para uma situação em que estes apoios possam ser progressivamente reduzidos”, segundo Luís Santiago Pinto.
O cheque destinava-se a veículos até 38.500 euros, subindo para 55 mil euros no caso de veículos com mais de cinco lugares, sendo também exigido o abate de um veículo a combustíveis fósseis com mais de 10 anos.
Olhando para outras medidas da proposta do OE para 2027, a ACAP defendeu a “atualização dos valores dos escalões de tributação autónoma aplicáveis às viaturas das empresas, de forma a acompanhar a inflação, bem como a redução progressiva das respetivas taxas até 2028, conforme previsto no Acordo de Rendimentos, assinado entre o Governo e os parceiros sociais”.
Assim, a ACAP “lamenta que a proposta de Orçamento do Estado para 2027 não faça qualquer referência à concretização destas medidas, considerando que a ausência de uma redução das taxas de tributação autónoma representa um incumprimento dos compromissos assumidos”.

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