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Do ego de Cristiano Ronaldo a Mourinho. Ricardo Carvalho abre o livro

Do ego de Cristiano Ronaldo a Mourinho. Ricardo Carvalho abre o livro

Ricardo Carvalho concedeu, ao início da manhã desta sexta-feira, uma extensa entrevista ao jornal espanhol La Vanguardia, na qual, entre outros temas, comparou as personalidades de Cristiano Ronaldo e Kylian Mbappé, reconhecendo que existem muitas diferenças entre duas das grandes estrelas do futebol mundial.
 
O antigo central, que fez parte da equipa técnica de Roberto Martínez na seleção nacional, foi colega de equipa de Mbappé no AS Monaco e dividiu balneário com Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Ricardo Carvalho revelou que o francês desde cedo já deixava perceber até onde poderia chegar na carreira.
“Em termos futebolísticos, notava-se que o Mbappé era diferente. Sabia-se que era o melhor da formação. Ele sabia que grandes clubes como o Real Madrid, para onde chegar já era um sonho, estavam interessados nele. Era um futebolista que queria ser respeitado. Queria sempre mais. Tinha vontade de fazer muitas coisas e de se tornar cada vez mais conhecido. Naquela época, eu era o mais velho do plantel e conversávamos frequentemente. No último jogo Portugal-França, no Euro’2024, cumprimentámo-nos. O respeito é enorme. Também pelo pai dele. Somos diferentes, mas ele continua a ser quem eu conheci. Tem aquela arrogância que se nota, mas para ser tão bom é preciso ser arrogante. São esses que fazem a diferença”, começou por contar o antigo jogador.
Ricardo Carvalho reconheceu ainda semelhanças entre Mbappé e Cristiano Ronaldo, ainda que sublinhe que o caminho do avançado francês tem características próprias.
“O Mbappé adorava o Cristiano. É normal que veja as coisas de forma semelhante. Mas o Mbappé, quando começou, era diferente. O Cristiano sempre teve esse ego desde o início. O Mbappé cresceu e foi moldando o seu ego. O francês dava a sua opinião, sabia o que queria e até onde ir. Lembro-me de uma conversa: eu queria renovar o contrato e ele disse-me que queria jogar primeiro aqui e depois ir para um grande clube. Ele sabia o que queria”, frisou.
O antigo internacional por Portugal foi treinado por José Mourinho no FC Porto, Chelsea e Real Madrid e destacou a exigência do técnico português.
“Quando os jogos começarem, a atitude dele não vai mudar. É certo que ele está mais maduro, moderado e conciliador, mas não sabe lidar com a derrota. Se as coisas não correrem bem, ele vai ficar zangado. Aprendi muito com ele e sei que o melhor é aceitar a sua personalidade. Como jogador, percebes que ele quer o melhor para a equipa, não há nada de pessoal com ninguém, ele quer o máximo. Não se pode ficar zangado com ele, ele fará tudo o que for possível para ganhar. Quando ganha, a sua personalidade é diferente; quando perde, tem dificuldade em lidar com a derrota, sim”, sinalizou Ricardo Carvalho, que recordou como Mourinho preparava os jogos grandes, como os clássicos com o Barcelona.
“Havia um pouco de tudo: diversão, mas também muita tensão nos jogos. Depende da personalidade de cada um e da forma como cada um vivia aquilo. É preciso ter limites na tensão e, por vezes, nesses clássicos, ultrapassávamos esse limite. Também é compreensível, porque é o jogo que toda a gente no mundo quer ver. Divertimo-nos porque sabemos que estamos a jogar por dois dos melhores clubes do mundo. O Mourinho tinha a sua própria filosofia para analisar os jogos. Fazíamos tudo para vencer aquele Barcelona. No primeiro ano não conseguimos, mas depois começámos a impor-nos”, finalizou.

“Jesus tem emprego graças a CR7 e atirou-o para debaixo do autocarro”
Benni McCarthy, antigo jogador do FC Porto, assume que Cristiano Ronaldo “não é santo nenhum”, mas defende que Jorge Jesus “poderia ter feito as coisas melhor”, no âmbito do caso que culminou com o abandono da principal seleção de Portugal.
Carlos Pereira Fernandes | 10:02 – 23/10/2026

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