Galp garante estar preparada para “potenciais transações”
A Galp garantiu hoje que está preparada para futuros negócios, mas que neste momento não está ativa no mercado, isto depois de ter caído por terra a fusão de negócios com os espanhóis da Moeve.
“Vamos continuar a oferecer uma história distinta de crescimento ao mercado. Vamos estar preparados para potenciais transações, mas não estamos ativos no mercado”, disse o co-CEO da Galp João Diogo Marques da Silva esta segunda-feira, 26 de outubro.
O negócio com a Moeve, empresa espanhola detida pelo fundo soberano de Abu Dhabi Mubadala e pelo fundo norte-americano Carlyle, previa uma fusão com a Galp.
Os postos de combustível das duas empresas na Península Ibérica ficariam numa sociedade detida a 50% pelas duas empresas. Já as refinarias das duas empresas – incluindo a única refinaria portuguesa em Sines – ficariam numa sociedade onde a Galp ficaria com apenas 20%, deixando de controlar este ativo estratégico para Portugal, como comprova a atual crise energética, com a refinaria a abastecer mais de dois terços do gasóleo e combustível para aviação consumidos por Portugal.
“As parcerias de longo prazo fazem sentido para a Galp. Estamos a olhar para oportunidades no nosso portfólio, é algo que fazemos regularmente”, acrescentou o gestor numa chamada com analistas.
“Estamos muito melhor preparados agora, não estamos com pressa. Não vai haver nenhuma transação inorgânica, vai ser uma decisão disciplinada, não só nas energias renováveis, mas também no ‘downstream’”, segundo João Diogo Marques da Silva.
Apesar de a operação com a Moeve ter caído por terra, o gestor garante que o “racional” e o “end game [objetivo final]” para uma operação deste tipo continuam intactos.
Os investidores continuam a castigar a Galp no mercado com uma queda de quase 10% para 20,7 euros, com 1,37 milhões de ações a serem negociadas.
Negócio entre Galp e espanhóis da Moeve foi cancelado
O negócio entre a Galp e os espanhóis da Moeve não vai avançar, “após negociações prolongadas”, revelou hoje a empresa portuguesa.
A operação envolvia a fusão dos postos de combustível e das refinarias das duas empresas na Península Ibéricas.
O negócio daria origem a duas empresas: uma com todos os postos de combustível das duas empresas, onde a Galp ficaria com 50%, e outra com as três refinarias de ambas, incluindo a refinaria de Sines, mas onde a Galp ficaria com 20%.
E era aqui que o negócio se tornava polémico, com a única refinaria nacional a ficar controlada por uma sociedade espanhola detida maioritariamente pela Mubadala, o fundo soberano de investimentos de Abu Dhabi, e por um fundo norte-americano.
“Após extensas negociações e um forte compromisso de todas as partes para explorar o potencial desta combinação, e apesar de todos os esforços, fomos incapazes de chegar a um acordo sobre a oportunidade de potencial significado para criar um grande ator europeu do ‘downstream’”, segundo a chairman Paula Amorim.
“Apesar do racional estratégico na base da transação permanecer atraente, os dois lados foram incapazes de atingir o alinhamento comercial necessário para criar uma parceria que crie valor”, acrescentou.
A companhia garante que o seu negócio de ‘downstream’ continua “fortemente posicionado, apoiado por uma rede de retalho líder em Portugal, e por um portfólio forte de projetos de transição energética em Sines, incluindo um dos maiores projetos de hidrogénio verde da Europa e uma unidade avançada de biocombustíveis”.
A companhia portuguesa garante que o resultado não impacta as operações existentes da Galp, nem a sua confiança no potencial do seu portefólio.
“Também não muda a convicção da Galp que a consolidação industrial reforça a competitividade, escala e capacidade de investimento. A Galp vai permanecer comprometida com a transformação das suas atividades comerciais e industriais para garantir competitividade de longo-prazo e sustentabilidade”, segundo o comunicado.
A companhia garante que vai continuar atenta a otimizar o seu portfólio, apoiado por “parcerias estratégicas ao longo da cadeia de abastecimento” para continuar a criar “oportunidades para desbloquear valor adicional através de estruturas eficientes em termos de capital”.
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