Santander Portugal com lucros a caírem 8,8% no semestre para 693,7 milhões
O Banco Santander Totta registou lucros de 693,7 milhões de euros no primeiro semestre a caírem 8,8% face ao primeiro semestre do ano passado.
Excluindo efeitos não recorrentes, o resultado líquido recorrente fixou-se em 693,7 milhões de euros, uma ligeira descida de 1,0% face aos 700,7 milhões de 2025.
A diferença explica-se pelos encargos não recorrentes de 29,9 milhões de euros com a transformação da rede de agências e com reformas antecipadas. Em 2025, o banco tinha contabilizado um efeito positivo de 27,6 milhões, associado ao reembolso do Adicional de Solidariedade.
O banco liderado por Isabel Guerreiro continua a apresentar uma elevada rentabilidade.
A rentabilidade dos capitais próprios tangíveis (RoTE) recorrente situou-se em 29,6%, abaixo dos 30,8% de há um ano. O retorno sobre o capital próprio médio (ROE) caiu de 22,5% para 21,3%.
A margem financeira ascendeu a 1.015,7 milhões de euros, menos 1,3%. O banco explica que o crescimento da carteira de crédito continuou a ser compensado pelo repricing do crédito, que só neste trimestre começou a refletir o novo contexto de taxas de juro, e sobretudo pelo dos depósitos, cujo volume também cresceu.
As comissões líquidas subiram 4,8%, para 382,9 milhões de euros, com destaque para as de crédito, contas, fundos e seguros, e para a assessoria financeira. Os resultados em operações financeiras recuaram 35,1%, para 18,1 milhões de euros, face a 27,8 milhões.
O produto bancário totalizou 1.413,7 milhões de euros, uma redução de 0,8%.
Custos controlados e rácio de eficiência nos 27,3%
Os custos operacionais ajustados de encargos com reformas antecipadas fixaram-se em 385,7 milhões de euros, menos 0,7%. Os custos com pessoal ajustados subiram 0,4% e os gastos gerais administrativos recuaram 4,7%. As depreciações aumentaram 9,0%, impulsionadas pelo investimento na transformação digital. Em termos reportados, os custos operacionais subiram 6,0%, para 411,6 milhões.
O rácio de eficiência (cost-to-income) ajustado foi de 27,3%, estável face ao período homólogo. Em termos reportados, subiu de 27,0% para 28,9%.
O resultado de exploração ajustado foi de 1.028 milhões de euros (-0,8%) e o resultado antes de impostos ajustado de 964,7 milhões (-3,4%).
Custo do risco sobe, mas continua baixo
A imparidade líquida de ativos financeiros ao custo amortizado subiu para 35,7 milhões de euros, contra 7,4 milhões um ano antes, um valor influenciado por recuperações de créditos nesse período. O custo do crédito situou-se em 6 pontos base (0,06%, face a 0,01%), que o banco diz continuar a ser dos mais baixos do sistema.
As provisões líquidas e outros resultados, ajustadas, ascenderam a 27,6 milhões de euros negativos, refletindo a contribuição sobre o setor bancário, registada no segundo trimestre.
A qualidade da carteira mantém-se sólida. O rácio de non-performing exposure (NPE), pelo critério da EBA, desceu 0,1 pontos percentuais, para 1,3%. A cobertura total de NPE ficou em 88,9% (92,1% há um ano), enquanto a cobertura por imparidade específica subiu 2,7 pontos percentuais, para 64,8%.
Crédito cresce 8,3% e depósitos 6,3%
A carteira de crédito a clientes (bruto) atingiu 56,5 mil milhões de euros, mais 8,3% em termos homólogos e mais de 2,4 mil milhões do que no final de 2025. O crédito a empresas e institucionais, com 27,8 mil milhões, avançou 10,3%. O crédito a particulares, com 28,7 mil milhões, cresceu 6,5%.
Dentro deste último, o crédito à habitação subiu 6,7%, para 26,4 mil milhões de euros. O banco originou cerca de três mil milhões em crédito hipotecário nos nove meses, e os jovens até 35 anos representaram 43% dos novos créditos à habitação desde o início de 2025, quase metade dentro da garantia pública. O crédito ao consumo aumentou 6,1%, para 2,2 mil milhões. O financiamento sustentável concedido ascendeu a 1,8 mil milhões.
“A carteira de crédito aumentou 8,3%, para 56,5 mil milhões de euros, e a nossa base cresceu em 23 mil clientes ativos. São sinais de que continuamos a ganhar a confiança dos portugueses e, sobretudo, de que temos capacidade para transformar essa confiança em oportunidades de crescimento”, refere a CEO, Isabel Guerreiro.
Os recursos de clientes somaram 51,6 mil milhões de euros (+6,3%). Os depósitos cresceram 6,3%, para 41,5 mil milhões, e os recursos fora de balanço aumentaram 5,9%, para 10,1 mil milhões, com os fundos de investimento a crescerem 6,5% (5,8 mil milhões) e os seguros e outros recursos 5,1% (4,3 mil milhões). O ativo líquido totalizou 61,3 mil milhões (+7,2%).
No âmbito da transformação da rede comercial, o banco tinha 258 agências e 4.509 colaboradores em Portugal no final de setembro, menos 20 agências e 157 trabalhadores do que em dezembro de 2025. A base de clientes ativos ascendia a 1,97 milhões e os clientes digitais a 1,38 milhões.
“Continuamos também a transformar a forma como nos relacionamos com os clientes. Queremos ser o melhor banco digital com balcões, porque não vemos o digital e a proximidade como alternativas. Estamos a concretizar esta visão com uma experiência cada vez mais simples e personalizada, com o desenvolvimento da nossa app e com a expansão dos WorkCafés, numa dinâmica que se prolongará ao longo dos próximos trimestres”, disse, citada no comunicado, Isabel Guerreiro.
CET1 sobe para 15,3% e liquidez robusta
O rácio de capital CET1 (phase-in) fixou-se em 15,3%, mais 1,3 pontos percentuais do que em setembro de 2025, e acima do requisito SREP de 10,27% para 2026. O rácio de Tier 1 é de 23,6% e o rácio de capital total de 25,3%. Os ativos ponderados pelo risco (RWA) recuaram 8,6%, para 14,6 mil milhões de euros. Em termos de MREL, o rácio era de 32,9%, acima do requisito de 26,9%.
Do lado da liquidez, o rácio de cobertura (LCR) foi de 134,1%, e a reserva de liquidez ascendeu a 17,3 mil milhões de euros. A exposição ao Eurosistema traduz-se numa posição excedentária de 2,2 mil milhões, e o financiamento junto do BCE mantém-se nulo. O rácio de crédito sobre depósitos fixou-se em 101,3%.
O Santander Totta mantém notações de longo prazo de A+ (Fitch), Baa1 (Moody’s), A (S&P) e A (DBRS).
(atualizada)
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