Fed vai reduzir número de reuniões de política monetária nos próximos dois anos
Menos reuniões de política monetária, garantia de que não está a recuar no combate à inflação e uma recusa de que as eleições intercalares tenham influenciado de qualquer forma a decisão de manter os juros inalterados: assim se resume a conferência de imprensa do presidente da Reserva Federal nos EUA, onde procurou reforçar ao mercado a credibilidade do banco central após a pausa de outubro.
Kevin Warsh reforçou aos investidores e analistas a mensagem inicial de quando assumiu a presidência do banco central, garantindo que não abdica de lutar contra a inflação elevada apesar da decisão de manter as taxas de referência sem mexidas entre 3,75% e 4%. Além disso, e questionado pelos repórteres, rejeitou qualquer “objetivo flexível” para o indicador de preços.
O presidente disse estar mais focado na estabilidade de preços do que no mercado laboral, apontando ao mandato duplo do banco central, sobretudo porque o emprego tem mostrado um comportamento “bastante positivo”.
Além disso, o crescimento está mais forte e a acelerar, numa nota mais hawkish que alguns analistas viram como um sinal do expectável aumento de taxas na próxima reunião, em dezembro.
Precisamente no que respeita às reuniões de política monetária, Warsh anunciou que um dos oito encontros anuais do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) no próximo ano deixará de servir para afinar juros, mas sim para discutir os princípios da política monetária. Para 2028, a projeção é que sejam duas reuniões deste tipo, sobre as quais o líder da Fed já fez saber que não haverá comunicado à imprensa.
Outro dos pontos de destaque foi a rejeição de que o crescimento na maior economia do mundo se deva exclusivamente ao sector tecnológico e de inteligência artificial, uma “narrativa que tem circulado” nos últimos tempos e que é “conveniente”. Warsh argumentou que se começa a ver sinais do aperto das condições financeiras na procura por crédito empresarial deste ramo, reflexo de que a teoria que as empresas de IA teriam uma procura por crédito perfeitamente inelástica – e que, portanto, não reage a subidas das taxas de juro – não se confirma.
“O que temos visto desde setembro, seja no sector tecnológico, seja no resto da economia, […] é que as taxas de juro têm tido um impacto”, afirmou.
Rejeitada também foi qualquer hipótese de que a política tenha tido qualquer interferência na decisão. O presidente da Fed lembrou que esteve reunido com os colegas de FOMC nos últimos dois dias e, garante, “não ouvi um murmúrio sequer sobre política”.
“Não só não ouvi nada, como acredito que não tenha tido qualquer influência na decisão – nem para mim, nem para os meus colegas”, rematou.
Recorde-se que as eleições intercalares se realizam na próxima terça-feira, a 3 de novembro, sendo projetada uma derrota do Partido Republicano e dos candidatos apoiados por Trump. O presidente, por sua vez, vem pedindo desde ainda antes da sua eleição que o banco central corte os juros, levantando dúvidas sobre a independência da política monetária.
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