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Reino Unido: crescimento da economia no 3º trimestre é “dececionante”

Reino Unido: crescimento da economia no 3º trimestre é “dececionante”

A economia britânica praticamente não cresceu no terceiro trimestre, afetada pelo ciberataque sofrido pela Jaguar Land Rover em setembro, segundo dados divulgados esta quinta-feira que reforçaram o cenário de crescimento lento enquanto a ministra das Finanças, Rachel Reeves, prepara um orçamento que se prevê que seja fortemente alavancado por um aumento geral dos impostos.
A economia cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2025, segundo o Gabinete de Nacional de Estatísticas (ONS), desacelerando em relação ao crescimento de 0,3% no segundo trimestre. Analistas e o próprio Banco da Inglaterra previam um crescimento de 0,2% do produto no período de julho a setembro – isto, o crescimento previsto foi de apenas metade do esperado. Recorde-se que, em setembro, a economia contraiu 0,1%, contrariando as expectativas de estabilidade.
Os investidores esperam que o Banco da Inglaterra reduza as taxas de juros no próximo mês. A libra esterlina valorizou-se ligeiramente em relação ao dólar após a divulgação dos dados.
É improvável que as leituras influenciem as deliberações em torno do Orçamento de Estado que Rachel Reeves está a preparar para ser apresentado a 26 de novembro. “A trajetória de crescimento persistentemente lenta do Reino Unido é uma dor de cabeça para a ministra das Finanças, pois inevitavelmente resultará num défice fiscal substancial no orçamento, tornando os aumentos de impostos inevitáveis”, disse Suren Thiru, diretor de economia do ICAEW, órgão representativo dos contabilistas, citado pela agência Reuters.
O ONS registou uma queda de 28,6% na produção de veículos motorizados em setembro, a maior desde abril de 2020, durante o início da pandemia de Covid-19. No geral, o setor de veículos motorizados subtraiu 0,17 ponto percentual ao crescimento do PIB apenas em setembro e 0,06 ponto percentual no terceiro trimestre. O ONS citou um relatório da SMMT, associação comercial da indústria automobilística, que descreveu “um incidente cibernético que paralisou a produção numa grande fabricante”. De facto, a JLR (Jaguar Land Rover), pertencente à indiana Tata Motors, que possui três fábricas na Grã-Bretanha, que juntas produzem cerca de mil automóveis por dia, foi alvo de um ataque cibernético que custou à economia britânica cerca 2,55 mil milhões de dólares) e afetou mais de cinco mil organizações.
Em resposta aos números, Rachel Reeves destacou o facto de o Reino Unido ter sido a economia de crescimento mais rápido entre as nações do G7 no primeiro semestre de 2025. O seu chefe de gabinete, Keir Starmer, continua sob pressão política e sem conseguir apresentar resultados significativamente positivos.
A pressão é de tal ordem, que começa a ser comum o debate sobre a sua eventual substituição. A BBC noticiou que os aliados do primeiro-ministro estão a tentar deixar claro que Starmer se oporia a qualquer desafio à sua liderança por parte dos parlamentares trabalhistas. O que, entre outras coisas, quer dizer que essa possibilidade existe. A fase a seguir à publicação do Orçamento será crucial para o resto da ‘vida política’ do primeiro-ministro.
Os nomes que circulam entre os parlamentares trabalhistas como potenciais candidatos a substituir Sir Keir incluem alguns de seus aliados mais próximos do gabinete, especialmente Wes Streeting, o ministro da Saúde, e a ministra do Interior, Shabana Mahmood. Ed Miliband, ministro da Energia, e a ex-ministra dos Transportes Louise Haigh também fazem parte da lista.
As sondagens de opinião continuam a indicar que Keir Starmer é profundamente impopular, um dos primeiros-ministros britânicos mais impopulares de sempre. E afirmam que o Partido Trabalhista mantém o apoio de apenas 20% do eleitorado que nele votou nas últimas eleições – com a extrema-direita a subir em flecha.
De qualquer modo, e segundo as bizarras regras britânicas, o próprio partido de Starmer pode promover a sua substituição – algo que os antigos primeiros-ministros conservadores Theresa May e Boris Johnson estiveram prestes a enfrentar. De acordo com as regras do Partido Trabalhista, seriam necessários 20% de seus parlamentares para nomear um desafiante, ou seja, parlamentares da Câmara dos Comuns. Em maio haverá várias eleições locais, que permitirão um juízo mais fino sobre todo este cenário.

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