Nova sede do Banco de Portugal custará 225 milhões
O Banco de Portugal e a Fidelidade formalizaram esta semana a alteração ao contrato de compra da nova sede do regulador, em Entrecampos. O investimento total está agora estimado em 225 milhões de euros, o que representa uma poupança de cerca de 35 milhões de euros face ao projeto original, contratado durante o mandato de Mário Centeno. Parte significativa do investimento será financiada com o resultado da alienação de património imobiliário do banco central.
Desde logo, o preço de aquisição é mais baixo. No contrato atual, o investimento na aquisição ascende a 165,09 milhões de euros, abaixo dos 192 milhões de euros previstos no contrato-promessa assinado em maio de 2025, por Mário Centeno, que contemplava a aquisição dos edifícios A2 e A3, com uma área bruta de construção aproximada de 32.000 m². Agora, o banco central vai pagar 165,09 milhões pela aquisição do edifício A1 e do auditório adjacente ao edifício A3, correspondentes a uma área bruta de construção de 27.000 m².
Esta alteração permitirá uma poupança de 27 milhões no preço de aquisição, acompanhando a redução da área adquirida. No conjunto, incluindo outros custos, a poupança ascende a 35 milhões de euros.
Ao preço de aquisição acrescem outros encargos, nomeadamente os relacionados com a preparação técnica do imóvel para a instalação das equipas do BdP. Estes custos elevam o investimento global estimado para 225 milhões de euros, valor que já inclui a preparação técnica. No projeto de Mário Centeno, o investimento total rondava os 260 milhões de euros.
O sinal de cerca de 57 milhões de euros, equivalente a 30% do valor previsto na versão anterior do contrato, foi mantido na nova versão.
A 2 de maio de 2025, o Banco de Portugal, então sob a liderança de Mário Centeno, assinou um contrato-promessa com o grupo Fidelidade para a construção de uma nova sede nos terrenos da antiga Feira Popular, em Entrecampos, Lisboa. A polémica em torno do projeto envolveu a decisão de avançar com a operação perto do final do mandato de Centeno, suscitando críticas quanto à transparência, aos custos finais — que o antigo governador chegou a afirmar que pertenciam “a Deus”, por ainda faltar definir os interiores — e aos riscos da operação.
Estas questões foram agora objeto de revisão com o aditamento ao contrato-promessa de compra e venda do edifício que concentrará os serviços do banco central, atualmente dispersos por quatro localizações em Lisboa. Segundo o Banco de Portugal, a alteração permitirá otimizar o projeto em termos de localização, segurança e investimento, sem comprometer os objetivos definidos em 2025.
O BdP reitera que a concentração dos escritórios numa única localização permitirá reduzir os custos operacionais em mais de 10 milhões de euros por ano, face aos encargos atuais com os quatro edifícios, mantendo-se, neste aspeto, a opção inicialmente contratada. Esta poupança acresce à redução de 35 milhões no investimento.
A conclusão da transação, na modalidade core & shell, está prevista para o final do primeiro semestre de 2028. A mudança deverá ocorrer em junho de 2030.
O tema está longe de sair dos holofotes políticos. O PS pediu esta quinta-feira explicações ao governador, Álvaro Santos Pereira, sobre as alterações ao contrato da nova sede, considerando que a solução “é pior, opaca, sem informação e não rigorosa”. «Passámos da transparência [de Mário Centeno] para a opacidade», afirmou o deputado socialista Carlos Pereira.
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