Lufthansa e Governo garantem que TAP vai manter identidade portuguesa
A Lufthansa e o Governo garantiram hoje que a TAP vai manter a identidade portuguesa.
“A TAP vai permanecer uma companhia portuguesa: marca, sede, gestão local, identidade e pessoas. Queremos preservar essa força”, disse hoje o presidente-executivo da companhia aérea alemã na cerimónia de assinatura do contrato de venda da TAP que decorreu no Campus da TAP em Lisboa.
Carsten Spohr deu o exemplo das companhias do grupo que mantiveram as suas “identidades nacionais”, como a Brussels, Swiss, ITA ou Austrian.
“Cresceram connosco como parceiros” numa lógica de “diversidade que cria valor”, com a “força individual” de cada marca.
Por sua vez, o primeiro-ministro também deu garantias que a identidade portuguesa da empresa vai manter-se.
“O país dá hoje um passo extremamente importante para garantir que vamos ter uma companhia aérea portuguesa, com marca e identidade portuguesas, uma companhia aérea com uma integração no maior grupo de aviação europeu, o quarto maior global ao nível de receita, e o sexto maior grupo em termos de frota”, segundo Luís Montenegro.
Para já, está prevista a venda de 44,9% à Lufthansa. O processo de venda de 5% aos trabalhadores só terá lugar em 2027; o que não for vendido neste processo, será comprado pela Lufthansa.
O Estado vai receber em dinheiro 1.201 milhões de euros decorrentes da venda de 49,9% da TAP. Depois, a venda dos restantes 50,1% deverá render mais 863 milhões de euros também em ‘cash’.
Mas a segunda fase da privatização pressupõe a troca de ações, com o Estado português a receber ações da Lufthansa. Nas contas do Governo, isto vai colocar o Estado como o segundo maior acionista da companhia aérea alemã, com 5% do capital, apenas atrás da Fundação Kühne, que conta com 20%.
Ora, sendo acionista do Grupo Lufthansa, o Estado prevê receber um total de 1.400 milhões de euros em ações, mais dividendos acumulados do grupo alemão até 2040. Feitas as contas, o Estado português pode encaixar 19,8 milhões de euros por ano em dividendos, ao valor atual da remuneração acionista, de 0,33 euros. São quase 200 milhões de euros no espaço de 10 anos.
Nas contas do Governo, é assumido um ‘dividend yield’ de 3,9% para uma ação cotada a 8,8 euros, o que dá um dividendo anual de 0,3432 euros por ação. Contas feitas, são 20,6 milhões de euros em dividendos pela fatia de 5%.
O Governo assume na sua apresentação que a sua estimativa está “dependente da performance e cotação da empresa”. Tendo em conta o preço-alvo da ação assumido pelo Governo de 8,8 euros, isto significa que a posição de 5% vai valer 528 milhões de euros.
A Lufthansa garantiu hoje que está agora mais bem preparada para o mercado brasileiro, com a compra da TAP.
“Foi extraordinário”, disse hoje o presidente-executivo da companhia alemã sobre a vitória na privatização da TAP.
“É um bom sinal para o nosso grupo. As redes são complementares, existem poucas sobreposições”, acrescentou Carsten Spohr, sugerindo assim que o processo terá de enfrentar poucos remédios quando for avaliado pela Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia.
“Especialmente na América do Sul e no Brasil”, sublinhou numa chamada com analistas, apontando que o grupo Lufthansa ficava abaixo do poder do seus concorrentes.
“Temos 9%, ficamos em sexto lugar, com os 11% da TAP ficamos com 20%”, o que vai permitir enfrentar os “concorrentes mais importantes” nas rotas entre a Europa e a América do Sul.
“A aviação é mais importante do que nunca para a prosperidade económica. A aviação vai permanecer como uma das indústrias que mais vai crescer no futuro”, destacou o gestor.
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