DIGI acumula quase 4 mil reclamações em dois anos, apesar de descida de 61% em 2026
A DIGI registou 3.962 reclamações no Portal da Queixa desde a sua entrada no mercado português, há dois anos, embora os dados mais recentes apontem para uma redução significativa da insatisfação dos clientes em 2026. As principais queixas continuam relacionadas com instalações por realizar e falhas na prestação do serviço.
Segundo os dados divulgados esta quarta-feira, 4, pelo Portal da Queixa, a operadora somou 487 reclamações em 2024, ano em que arrancou atividade em Portugal, 2.551 em 2025 e 924 em 2026, até 1 de novembro.
A evolução mostra um forte agravamento das reclamações no primeiro ano completo de operação, com um aumento de 423,8% em 2025. No entanto, a tendência inverteu-se este ano: até ao início de novembro, o número de queixas caiu 61,2% face às 2.380 registadas no mesmo período de 2025.
Apesar da redução, a DIGI mantém-se como a marca mais reclamada na subcategoria de operadoras low cost de televisão, internet e telefone, concentrando 53,4% das reclamações da categoria.
Os dados revelam ainda que, antes mesmo da entrada oficial da empresa no mercado, a 4 de novembro de 2024, já existiam reclamações associadas à marca. Das 487 registadas nesse ano, 417 ocorreram nos meses de novembro e dezembro.
Já em 2025, abril foi o mês com mais reclamações, atingindo um pico de 585 registos, num aumento associado ao apagão que afetou o país nesse período. Depois de dezembro, os níveis de reclamação estabilizaram, sendo outubro de 2026 o mês com mais ocorrências este ano, com 110 queixas.
Instalações por concluir e avarias lideram problemas
A falha ou má qualidade do serviço continua a ser o principal motivo de insatisfação dos clientes, representando 33,1% das reclamações apresentadas em 2026.
Entre os problemas mais frequentes destacam-se as instalações contratadas que não chegam a ser realizadas e as avarias que deixam os clientes sem acesso à internet ou à televisão durante vários dias.
Dos 306 registos relacionados com falhas de serviço este ano, 105 dizem respeito a instalações por concretizar e 94 a situações de serviço interrompido ou avariado. Em conjunto, estes dois motivos representam cerca de 65% das reclamações associadas à qualidade do serviço.
O estudo indica ainda que as falhas de rede perderam peso nas queixas dos consumidores, passando de 34,7% das reclamações em 2025 para 19,8% em 2026. Em contrapartida, as cobranças consideradas indevidas pelos clientes ganharam relevância e representam já 10,3% dos registos deste ano.
Índice de satisfação supera os 72%
Apesar do volume de reclamações acumulado, a DIGI apresenta atualmente um índice de satisfação de 72,1% no Portal da Queixa, classificado como “Ótimo”. A operadora regista ainda uma taxa de solução de 87,9% e uma taxa de retenção de 47,1%.
Citado na análise, Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, sublinha que a redução das reclamações demonstra uma melhoria face ao primeiro ano completo de atividade, mas considera que o volume acumulado de quase quatro mil queixas mostra que a consolidação de uma operadora depende não apenas dos preços praticados, mas também da capacidade de assegurar a qualidade e continuidade dos serviços.
“Para muitos consumidores, o problema continua a ser simples: contrataram e pagaram um serviço que ainda não têm”, afirma.
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