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Proposta específica de Bruxelas sobre pensões complementares automáticas sai “nos próximos dias”

Proposta específica de Bruxelas sobre pensões complementares automáticas sai “nos próximos dias”

Bruxelas vai apresentar nos próximos dias uma proposta para criar pensões complementares automáticas em toda a União Europeia. A notícia não é nova, uma vez que a Comissária Europeia da Estabilidade Financeira, Serviços Financeiros e Mercado de Capitais da União Europeia já a tinha anunciado no passado dia 5 deste mês em Estrasburgo, no Parlamento Europeu. Mas esta terça-feira Maria Luís Albuquerque voltou a anunciar na conferência anual da APFIPP – Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios.
“Há uma dimensão essencial para o futuro da Europa: as pensões”, disse Maria Luís acrescentand0 que “nos próximos dias, a Comissão apresentará uma proposta específica sobre pensões complementares — um passo decisivo para fortalecer o segundo pilar e tornar os sistemas de reforma mais equilibrados e sustentáveis”.
“O nosso objetivo é claro, dar a todos os europeus a possibilidade real de complementar a sua pensão pública com poupança privada, de forma automática, transparente e com claros benefícios para o seu bem-estar e segurança financeira no futuro”, sublinhou.
Maria Luís Albuquerque disse ainda que “o modelo de autoenrolment, ou inscrição automática, tem mostrado resultados muito positivos noutros países europeus, aumentando significativamente a taxa de participação e permitindo acumular poupança ao longo de toda a vida ativa”. Por isso a Comissão Europeia quer que esta proposta “seja um verdadeiro ponto de viragem”.
Auto-enrolment é um sistema de poupança para a reforma no qual os funcionários elegíveis são automaticamente inscritos num plano de pensão, desde que não tenham um já. O dinheiro é deduzido do salário do funcionário e o empregador também contribui. Os funcionários podem optar por sair do plano após um período inicial, mas são reinscritos automaticamente a cada três anos se continuarem a preencher os critérios. 
“As pensões não são apenas uma questão social — são também um poderoso instrumento económico”, acrescentou a Comissária que lembra que os fundos de pensões “são uma fonte de poupança estável e de longo prazo, essenciais para financiar as empresas europeias, impulsionar a inovação e concretizar a nossa ambição comum de crescimento e prosperidade”.
“São, em suma, um pilar essencial para o crescimento sustentável e para a qualidade de vida dos cidadãos”, concluiu na conferência das associação dos fundos incluindo dos fundos de pensões.
“As gestoras de ativos e de fundos de pensões são parceiros estratégicos da União da Poupança e dos Investimentos, pois são quem transforma poupança em capital produtivo, e quem aproxima o longo prazo das oportunidades de hoje”, exaltou Maria Luís que acrescentou que “conto convosco — com a vossa experiência, inovação e compromisso — para ajudarem a construir um mercado de capitais verdadeiramente europeu, mais integrado, mais eficiente e acessível a todos”.
Mas a Comissária Europeia não falou apenas de pensões. “Com a União da Poupança e dos Investimentos, queremos transformar essa inércia em dinamismo — transformar poupança em prosperidade”, frisou, acrescentando que “para isso, já apresentámos várias iniciativas concretas”.
“Em primeiro lugar, a proposta de reforma da titularização, como forma de revitalizar este mercado e libertar capital que pode financiar as pequenas e médias empresas, a habitação e a transição verde; em segundo, a Estratégia Europeia da Literacia Financeira, porque um mercado verdadeiramente inclusivo começa com cidadãos informados e confiantes nas suas decisões; em terceiro, as Contas de Poupança e Investimento — designadas SIAs. Um instrumento inovador que permite a qualquer cidadão europeu investir de forma simples, segura e transparente, independentemente do seu rendimento ou experiência”, elencou Maria Luís acrescentando que “investir não pode ser um privilégio de poucos — é uma ferramenta de construção de riqueza aberta a todos”.
A Comissária destacou, a recente atualização do ato delegado da Solvência II, o que considera “um passo decisivo para fortalecer a capacidade de investimento do setor financeiro europeu. As seguradoras poderão canalizar mais capital para projetos de longo prazo — em empresas e infraestruturas que geram emprego, inovação e crescimento sustentável”.
“Mas os benefícios vão além das seguradoras. Também os bancos ganham margem para financiar mais a economia real, graças a um quadro regulatório que favorece a titularização e uma partilha de risco mais eficiente entre diferentes atores do sistema financeiro”, afirmou.
Nos últimos meses, a Comissão Europeia “tem trabalhado intensamente para concretizar o projeto da União da Poupança e dos Investimentos (SIU) — a nossa prioridade para este mandato”, sublinhou.
Maria Luís diz que o objetivo é simples, mas ambicioso e passa por canalizar melhor a poupança europeia para investimentos produtivos, por aproximar os cidadãos dos mercados financeiros, e por reforçar o financiamento da economia europeia, apoiando a inovação, a sustentabilidade e a competitividade das nossas empresas.
“Sabemos que o potencial existe. Os europeus estão entre os que mais poupam no mundo, mas uma parte demasiado grande dessa poupança continua parada — ou aplicada em produtos de curto prazo e baixo retorno — sem se transformar em investimento que beneficie a economia e os próprios cidadãos”, concluiu.
 

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