Volkswagen fecha fábrica pela primeira vez na Alemanha
A Volkswagen (VW) vai fechar pela primeira vez uma fábrica na Alemanha nos seus 88 anos de história.
A fábrica de Dresden encerra na terça-feira sendo uma das unidades alemãs a fechar portas perante a pressão financeira sobre a empresa numa altura em que as vendas desaceleram tanto na Europa como nos principais mercados mundiais, a China e os Estados Unidos (EUA).
A companhia chegou a acordo com os sindicatos em 2024 para despedir 35 mil trabalhadores na Alemanha.
A fábrica de Dresden produziu menos de 200 mil automóveis desde que a produção arrancou em 2002, com modelos como o Phaeton, descontinuado em 2016, e depois o elétrico ID.3.
Isto é, menos de metade da produção anual da fábrica principal em Wolfsburgo. Só a Autoeuropa produziu 236 mil veículos no ano passado.
A fábrica vai ser alugada à Universidade Técnica de Dresden para criar um campus de investigação para a inteligência artificial, robótica e chips, com a promessa da VW de contribuir com 50 milhões nos próximos sete anos anos.
Também é conhecida por Gläserne Manufaktur, ou fábrica transparente, devido ao edifício em vidro onde ficam expostos os veículos produzidos. No entanto, os clientes vão poder continuar a levantar o seu veículo adquirido neste local, e irá também estar aberto ao público.
Os analistas apontam que a marca continua sob pressão para executar em 2026.
“Existe pressão no cash flow (fluxo de caixa livre) em 2026”, disse o analista da Bernstein Stephen Reitman citado pelo “Financial Times”, numa altura em que a companhia procura aumentar lucros e reduzir gastos.
Os desafios são “muitos”, num momento em que a União Europeia prepara-se para cancelar o fim dos carros térmicos a partir de 2035, com a Bernstein a defender a aposta em motores a gasolina mais desenvolvidos.
Já Moritz Kronenberger da Union Investment defende que a companhia tem de cortar mais projetos do seu plano de investimentos.
O presidente da marca Volkswagen disse que o fecho foi difícil, mas “essencial de uma perspectiva económica”, segundo Thomas Schafer.
A marca chegou a prever que o cash flow para este ano estaria próximo de zero, mas mais recentemente antecipou um valor ligeiramente positivo.
Share this content:



Publicar comentário