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Virgílio Lima avança para último mandato com habitação e nomeação da administração do banco na agenda

Virgílio Lima avança para último mandato com habitação e nomeação da administração do banco na agenda

Sem surpresas a continuidade na liderança marcou as eleições dos órgãos associativos para o quadriénio 2026/2029, da  Montepio Associação Mutualista que decorreram na passada sexta-feira.
Virgílio Lima foi reeleito presidente do Conselho de Administração da mutualista Montepio Geral, onde não tinha oposição, para aquele que será o seu último mandato à frente da instituição dona do Banco Montepio. Obteve 88,6% dos 39.740 votos registados. Houve 9,7% de votos em branco e 1,7% nulos. A participação foi de apenas 6,5% dos mais de 600 mil associados.
A lista A liderada por Virgílio Boavista Lima assumiu o compromisso de “arrumar a casa” e fortalecer a  Montepio Geral Associação Mutualista.
A lista por si liderada conseguiu também uma maioria absoluta nas eleições (simultâneas) para a Assembleia de Representantes na Assembleia Geral Eleitoral realizada esta sexta-feira.
Também Maria de Belém continua a ser a presidente da Mesa da Assembleia-Geral e Victor Franco continua à frente do Conselho Fiscal.
Este ano votaram 39.740 pessoas para o Conselho de Administração e 40.439 para a Assembleia de Representantes, significativamente acima do que na dupla eleição de 2021.
Na agenda de Virgílio Lima no novo mandato está o acesso à habitação pelos 600 mil associados. O Presidente da Montepio Associação Mutualista e do Grupo Montepio admitiu em entrevista em abril, ao Negócios e Antena 1, tratar-se apenas de um contributo face às necessidades existentes.
“Atentos às necessidades dos nossos 600 mil associados, e tendo a noção de que muitas vezes não têm condições para aceder a empréstimos bancários, ou até quanto à entrada inicial, propomo-nos contribuir, em situações identificadas, comprando as habitações e fazendo o arrendamento aos associados, libertando-os desta dificuldade e dando-lhes a possibilidade, mais tarde, de adquirirem a habitação, se a sua vida permitir”, afirmou.
Assim, atento à crise na habitação e às necessidades existentes no país, o presidente da Montepio Associação Mutualista proporcionou a criação de uma solução em que a Associação se substitui ao Associado, comprando a habitação e arrendando-a ao Associado ou mesmo vendendo-lhe mais tarde.
A nova modalidade de apoio para associados, comprando imóveis para arrendar com opção de compra futura, implicou a aprovação da Direção-Geral da Segurança Social,  e tem o objetivo de aliviar as dificuldades de acesso à habitação, especialmente para jovens, permitindo-lhes adquirir a casa quando as condições financeiras permitirem, sendo um investimento inicial de 25 milhões de euros em cerca de 100 casas.
A Associação Mutualista Montepio aprovou em setembro um novo Regulamento de Benefícios, que já se encontra registado pelo Governo e “está pronto a entrar em vigor, já no inicio de 2026″, revela ao JE fonte oficial da Associação Mutualista.
Este passo foi essencial para que as novas ofertas de habitação e apoio social possam ser legalmente comercializadas. As alterações ao regulamento foram aprovadas pela Assembleia de Representantes em 5 de setembro de 2025 e submetidas para homologação final.
Com o enquadramento legal assegurado pela tutela, a instituição avançou com o plano de investir entre 25 a 50 milhões de euros anuais na compra de imóveis.
Na agenda está ainda a composição das equipas de administração das restantes empresas do Grupo Montepio. A administração liderada por Pedro Leitão acaba o seu mandato no fim deste ano e a Associação Mutualista irá reconduzi-lo para o novo mandato de quatro anos, apurou o Jornal Económico.
Contactada a Associação Mutualista referiu que  quaisquer decisões serão tomadas apos a tomada de posse dos órgãos sociais do Montepio Associação Mutualista, agendada para 6 de janeiro”.
O Banco Montepio tem base mutualista, tem cerca de 230 balcões e emprega perto de três mil pessoas. Chegou a ser forte alvo da pressão mediática que envolveu sobretudo a sua acionista Associação Mutualista Montepio Geral. A chegada de Pedro Leitão à presidência executiva acalmou a situação, o banco foi alvo de uma reestruturação e deu a volta aos resultados, passando de prejuízos a lucros e entregando dividendos à acionista. Tudo motivos para a recondução de Pedro Leitão.
Compromissos assumidos para o novo mandato
A visão da Lista A para o quadriénio 2026-2029 é de “afirmação e de futuro, com um foco inabalável nas necessidades dos associados e na comunidade”.
Na lista de novidades em prol dos associados está o “Plano de Benefícios Inovador – Habitação e Apoio Social”. A equipa de Virgílio Lima assume  o objetivo de lançar “um ambicioso plano de benefícios focado em áreas cruciais para as famílias portuguesas, nomeadamente a abertura de mais residências seniores e residências para estudantes”.
O pacto de medidas para a Habitação Digna e Acessível está também na lista. “Desenvolveremos projetos estruturantes para responder às necessidades de aquisição ou arrendamento de habitação digna e a custos moderados para associados e famílias”, segundo a Lista A que assume ainda que “alargaremos a resposta em alojamento para estudantes e residências seniores, através de um Plano de Investimento Imobiliário com impacto social”.
Já foram disponibilizadas 25 a 30 milhões para a compra de imóveis destinados a arrendamento pelos associados, montante que chegará aos 50 milhões ao ano durante o próximo mandato.
A equipa de Virgílio Lima assumiu ainda o compromisso de Apoio Social Abrangente. “Reforçaremos o apoio à longevidade, saúde preventiva e educação, com um novo Regulamento de Benefícios que garante respostas concretas às necessidades do presente e do futuro, nomeadamente com uma modalidade específica e com um pacote saúde que permitirá, a quem não tenha médico de família ou seguro de saúde, poder ter um check-up anual, assim como acompanhamento de médico e enfermeiro”, dizem.
Outro compromisso prende-se com o “Crescimento Sustentável e Valor para o Associado”, onde a liderança de Virgílio Lima promete “continuar a aprofundar o trabalho orientado à melhoria da rentabilidade e da solvabilidade, assegurando o equilíbrio entre capital, retorno, liquidez e risco. Este é o caminho para remunerar melhor as modalidades dos associados e ampliar os benefícios proporcionados”.
Depois a Lista A assumiu “Liderar a Transformação da Economia Social”. Compromete-se a aprofundar “o trabalho de modernização e fortalecimento do movimento mutualista em Portugal, ampliando a competitividade da proposta de valor que disponibilizamos aos nossos mais de 610 mil membros e a centenas de milhar de famílias portuguesas”.
Por fim, assumiu o compromisso relacionado com a sustentabilidade e responsabilidade social. “Intensificaremos a ação em sustentabilidade, com o compromisso de prosseguir o caminho rumo à neutralidade carbónica e de ampliar a atividade da Fundação Montepio enquanto agente de capacitação e apoio à comunidade”, referem, lembrando que o Projeto Frota Solidária, da Fundação Montepio, entregou no dia 3 de dezembro, 12 novas viaturas a 12 IPSS de todo o país, ajudando quem ajuda.
Virgílio Lima continua presidente do Montepio e oposição consegue 35% da Assembleia de Representantes
Na assembleia de representantes, a lista A, encabeçada por Vítor Melícias, teve concorrência: dos cerca de 40 mil votos (cerca de 10% dos associados com direito de voto), conseguiu alcançar 60,8%. Já a lista B, que tinha Tiago Mota Saraiva como cabeça de lista, falhou a maioria que pretendia, tendo obtido 35,9% dos votos. Aqui, houve 2,8% de votos brancos e 0,6% de nulos.
Na Assembleia de Representantes composta por 30 membros, ficam 19 para 11. Até aqui, havia representantes de outras três listas concorrentes nesta assembleia, sendo que agora passam a estar todos concentrados na mesma lista minoritária.
“Este resultado traduz uma vontade clara dos associados de reforçar a fiscalização, o acompanhamento e o escrutínio da atividade da administração e um capital de esperança que o Montepio possa ser mais do que é atualmente”, já veio dizer a lista liderada por Tiago Mota Saraiva.

Os 11 eleitos da Lista B assumem este mandato como “um passo determinante na construção de uma ideia de mutualismo para o séc. XXI e de uma instituição mais justa e útil para todas as pessoas associadas”.
A cerimónia de tomada de posse vai ser no próximo dia 6 de janeiro.

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