Economia portuguesa entra em 2026 com perspetivas positivas
O Comité de Datação dos Ciclos Económicos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, criado no âmbito do projeto “Crises na Economia Portuguesa” e composto por oito peritos liderados pelo economista Ricardo Reis, faz a habitual avaliação anual da evolução do ciclo económico português.
Após a análise de centenas de séries estatísticas, a partilha de avaliações qualitativas e a discussão dos riscos de recessão, o Comité concluiu, de forma unânime, que a economia portuguesa continuou em expansão em 2025, prolongando o ciclo iniciado no terceiro trimestre de 2020.
A unanimidade dos principais indicadores utilizados pelo Comité sugere uma economia em expansão durante o ano de 2025, totalizando 22 trimestres consecutivos de expansão desde o fim da última recessão. Os membros do Comité concluíram que “a economia resistiu surpreendentemente bem ao impacto das tarifas aduaneiras e que apesar de uma redução das exportações de bens, a atividade económica, como um todo, não sentiu o impacto”.
Mantém-se o crescimento dos serviços, em particular do turismo. Desde o fim da última recessão, o emprego nos serviços cresceu 10%.
Perspetivas para 2026
O Comité não antecipa um pico da atividade económica em 2026, prevê antes a continuação da expansão, apoiada em vários fatores: 2026 é o último ano para a execução dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o que se traduz em despesa pública e, por esta via, deverá contribuir para estimular a economia.
O consumo continua também em expansão, “sobretudo no caso dos bens duradouros, talvez apoiado em índices de sentimento económico favoráveis”. O aumento do número de licenciamentos para construção, assim como o pico nos índices de confiança no setor, fazem adivinhar um aumento no investimento privado no setor da construção em 2026. O documento salienta ainda a evolução favorável do emprego, sustentada sobretudo por contratos sem termo e pelo trabalho por conta própria.
“À semelhança do ano passado, alguns dos riscos continuam a ser a instabilidade geopolítica e a elevada dependência da economia portuguesa do turismo, que podem trazer solavancos inesperados causados por choques externos. As dificuldades da economia alemã, em particular no setor automóvel, com potenciais repercussões no crescimento europeu. A crescente tensão nas relações comerciais entre a Europa e a China terão implicações na estrutura produtiva da economia europeia”, lê-se no documento.
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