“Reescrever a história”: Publicação do MNE com Cavaco Silva causa polémica
O primeiro dia do ano trouxe também polémica às redes sociais, nomeadamente na página oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros no “X” (antigo Twitter”) e no post em que o Ministério liderado por Paulo Rangel deu destaque a Cavaco Silva, primeiro-ministro de Portugal no momento em que se deu a entrada do país na então CEE.
“Há 40 anos, Portugal deu um passo decisivo ao aderir à CEE. Nas palavras do então PM Cavaco Silva, a ambição de um país que via na Europa uma oportunidade: estabilidade e prosperidade. Quatro décadas depois, essas palavras mantêm-se vivas — o compromisso de Portugal também”, pode ler-se na publicação partilhada a 1 de janeiro.
Há 40 anos, Portugal deu um passo decisivo ao aderir à CEE. Nas palavras do então PM Cavaco Silva, a ambição de um país que via na Europa uma oportunidade: estabilidade e prosperidade. Quatro décadas depois, essas palavras mantêm-se vivas — o compromisso de Portugal também. pic.twitter.com/UMkCXh3yB4
— Negócios Estrangeiros PT (@nestrangeiro_pt) January 1, 2026
As reações não se fizeram esperar e quase todas no mesmo tom: a sugerir que o Governo estava a reescrever a história ao ignorar o papel de Mário Soares na adesão do país à CEE. O deputado do PS destacou que “o Governo decidiu obliterar a história e “esquecer” o principal protagonista da adesão à CEE: Mário Soares (e o PS)”.
O tratado de adesão de Portugal à então CEE foi assinado em 12 de junho de 1985 por Mário Soares e também pelo vice-primeiro-ministro do Governo PS/PSD, Rui Machete, e pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama, e das Finanças, Ernâni Lopes.
Horas depois, realizava-se em Madrid idêntica sessão, para a entrada de Espanha na CEE.
Quando o tratado entrou em vigor, em 01 de janeiro de 1986, já estava em funções o primeiro Governo do PSD chefiado por Aníbal Cavaco Silva, que iria governar durante dez anos.
O antigo primeiro-ministro Cavaco Silva considerou recentemente que, 40 anos após a adesão à Comunidade Económica Europeia, “Portugal é hoje um país claramente melhor”, mas alertou que a prioridade agora não deverão ser os fundos comunitários.
Num texto enviado à Lusa a propósito da entrada na CEE, em 01 de janeiro de 1986, Aníbal Cavaco Silva advertiu que, “40 anos depois da adesão, a captação de um elevado montante de fundos comunitários não deve ser uma prioridade de Portugal”.
“Hoje, Portugal deve estar na primeira linha da defesa de uma nova ambição que torne a União Europeia e o seu núcleo duro, a zona Euro, mais fortes, mais coesos e mais visíveis”, defendeu.
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