João Bento: “Nove em cada 10 acionistas não querem que o Banco CTT esteja cá”
O ainda CEO dos CTT, João Bento, em entrevista ao Jornal de Negócios, revela que há uma pressão dos acionistas para vender o Banco CTT.
O gestor que deixa de ser CEO dos CTT em abril, explica que o grupо mantém vontade de diluir a participação no Banco CTT dada a “pressão” dos acionistas que consideram que a empresa é prejudicada na cotação por ter uma instituição financeira. “A pressão é
grande. Sabemos que somos prejudicados na cotação por esta ideia de ‘Conglomerate Effect Discount’”, refere o presidente executivo dos CTT.
“O que nós dizemos é que a prazo queremos ser um operador logístico de comércio eletrónico e a importância que o banco deve ter no nosso portefólio tem de ser muito menor”, diz na entrevista.
“No limite podemos ficar minoritários, porque no dia em que nós sejamos minoritários no banco deixamos de consolidar”, sublinha João Bento que diz também que a Generali “tem direitos, por ser acionista, que lhe conferem uma posição muito confortável nesse processo”.
Recorde-se que em novembro de 2024 a Generali Tranquilidade passou a ser acionista do Banco CTT. A seguradora investiu 25 milhões de euros num aumento de capital dos banco dos Correios para ficar com uma participação de 8,71% do capital.
João Bento refere ainda que com a chegada do Francisco Barbeira foi refeito o plano de médio prazo do banco, que é mais ambicioso do que o anterior e que “o banco vai agora crescer mais do que pensávamos e esses objetivos estão plasmados nessa ambição”.
“O banco tem hoje mais de 800 mil clientes, em 10 anos, e o que temos de fazer é aumentar o volume médio de negócios com estes clientes”, anunciou o gestor que acrescentou que o banco “vai ter dois anos de muito investimento e aumento de custos”.
Sobre os certificados de aforro que os Correios vendem, João Bento, diz que o Governo, ao mexer nas regras, quando os juros subiram, e ao criar a nova série F, “tornou os certificados completamente não atrativos”.
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