Novas tarifas à vista penalizam mercados
A semana começou com a abertura da 56.ª reunião do Fórum Económico Mundial, em Davos, que pretende restabelecer pontes de diálogo entre os líderes. O presidente norte-americano, Donald Trump, vai estar presente nesta reunião, tendo uma intervenção marcada para quarta-feira.
A imprevisibilidade do discurso de Trump deixa os mercados expectantes e pode tirar palco a alguns eventos que vão marcar a semana, como é o caso da divulgação de resultados da Netflix, Intel e J&J. Contudo, os analistas apontam que este deverá ser uma “chave” para a estratégia geopolítica do presidente.
As tarifas voltaram a marcar o início da semana, com Donald Trump a anunciar uma nova escalada nas tarifas aos países europeus e Reino Unido, a partir de 1 de fevereiro, taxas que podem subir para 25% a 1 de junho, caso os Estados Unidos não obtiverem autorização para comprar a Gronelândia.
“Donald Trump reiterou as suas ambições em relação à região autónoma da Dinamarca, anunciando que pretende impor tarifas de 10% a vários aliados europeus caso não apoiem o seu plano para adquirir o território. A União Europeia reagiu com fortes críticas à pressão diplomática dos EUA e está a avaliar possíveis retaliações, aumentando o risco de uma nova escalada comercial. Este é o segundo grande evento de risco de janeiro, após a escalada de tensões no Irão, e a reação dos investidores a este desenvolvimento será reveladora do caminho que os ativos de risco pretendem tomar no primeiro trimestre”, afirma Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe.
Na opinião de Christian Schulz, economista-chefe da Allianz Global Investors (AllianzGI), “as tarifas impostas pelo Presidente Trump devido à Gronelândia podem levar a uma rápida escalada para um conflito comercial global, e os mercados financeiros serão um indicador crucial para determinar se o confronto se dissipará rapidamente ou se se transformará num choque económico desestabilizador”.
Perante esta situação a Europa e o Reino Unido já delinearam medidas de retaliação, ao mesmo tempo que se mostram dispostos a negociar antes das tarifas entrarem em vigor. “Além disso, a União Europeia prepara-se para reintroduzir um pacote de 93 mil milhões de euros de direitos aduaneiros de retaliação sobre os produtos norte-americanos, que foi suspenso no ano passado e que poderá regressar automaticamente a 6 de fevereiro se as negociações falharem”, referem os analistas da XTB.
“Com os desenvolvimentos pendentes em relação ao Irão e à Gronelândia e a incógnita que pesa sobre a evolução na Venezuela, a variável geoestratégica passa a ser o principal fator para o mercado, novamente”, salientam os analistas do Bankinter.
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