Bankinter com lucros de 1.090 milhões em 2025 a subirem 14,4%. Portugal contribuiu com 210 milhões
O grupo Bankinter inaugura a época dos resultados da banca ibérica alcançando resultados recorde de 1.090 milhões de euros em 2025, mais 14,4%, devido ao crescimento do negócio com clientes.
O ROE (rentabilidade sobre o capital próprio) cresce para 18,9%, com um ROTE de 20%.
O banco espanhol regista um crescimento de todos os indicadores de negócio com clientes. A carteira de crédito cresce 5%, os recursos de clientes de retalho crescem 6%, os recursos geridos fora de balanço registam uma subida de 19%.
A margem bruta (que agrupa a totalidade das receitas) supera pela primeira vez os 3.000 milhões de euros, com um crescimento no ano de 5%.
Os resultados antes de impostos do Bankinter Portugal em 2025 foram de 210 milhões de euros, com um crescimento de 7%.
Sob estas premissas, o Bankinter diz que encara 2026 com a ambição de que seja mais um ano recorde em termos de volumes, margem bruta, eficiência, resultados líquidos e rentabilidade.
O Grupo Bankinter “conclui o exercício de 2025 com crescimentos a dois dígitos nos seus resultados, que superam pela primeira vez a marca dos 1.000 milhões de euros, graças a uma dinâmica comercial cada vez mais diversificada em todos os negócios e geografias em que o banco opera, e a um foco estratégico nos produtos e nas atividades com maior contribuição de valor”, justifica o banco liderado por Glória Ortiz.
“O ano foi muito positivo em todos os dados do balanço, com crescimentos tanto na carteira de crédito como nos recursos, especialmente nos geridos fora de balanço, que voltam a concluir mais um ano histórico” acrescenta.
O grupo que faz este ano 60 anos alcançou resultados antes de impostos de 1.535 milhões de euros, 12,9% acima de 2024.
Na rubrica da conta de resultados, o crescimento dos volumes de negócio e o foco em atividades com maior retorno comercial permitiram compensar o impacto negativo que, especialmente na primeira parte do ano, a evolução das taxas de juro teve na margem de juros, explica o banco em comunicado.
“Um impacto que, embora tenha vindo a atenuar-se ao longo do ano, levou a uma ligeira queda de 1,8% na margem de juros, que concluiu o ano com um total de 2.237 milhões de euros”, explica o Bankinter. No entanto, a margem de juros do quarto trimestre de 2025 já é superior à do anterior, a do terceiro trimestre de 2025 (mais 0,7%) e à do quarto trimestre de 2024 (mais 3,6%).
O banco destaca o que chama de “boa evolução dos negócios de gestão de ativos, intermediação bolsista, negócio transacional de empresas e seguros permitiu um bom desempenho das comissões, o que, em termos líquidos (excluindo os pagamentos aos parceiros da Red de Agentes ou Banca Partner), se traduz num aumento de 10,9% no ano”.
O aumento das comissões de 10,9% para 795 milhões compensa a queda da margem de juros. Assim a margem bruta, que agrupa a totalidade das receitas, conclui 2025 com uma melhoria de 5% em relação ao mesmo valor de 2024, ultrapassando pela primeira vez os 3.000 milhões de euros, concretamente para 3.047 milhões.
O Grupo Bankinter diz que a margem de exploração antes de provisões situa-se nos 1.947 milhões de euros, mais 5,4% do que há um ano, mesmo depois de assumir custos operacionais que cresceram 4,3% em comparação com 2024. No entanto, o maior crescimento das receitas levou a uma melhoria na eficiência, que se fixou num rácio de 36,1%, o que representa uma melhoria de 23 pontos base em relação ao ano anterior.
Por sua vez, o rácio de capital CET1 fechou nos 12,72%, 31 pontos base acima do ano anterior e muito acima do mínimo regulamentar exigido pelo BCE, que era de 8,36% em dezembro.
No Balanço os ativos totais do Grupo Bankinter concluíram 2025 nos 131.000 milhões de euros, o que representa um crescimento de 7,4% em relação ao valor do ano anterior.
A carteira de crédito a clientes ascende a 84.100 milhões de euros, mais 5% do que há um ano.
Quanto ao financiamento hipotecário, a carteira aumentou 5% em comparação com o valor total de há um ano, para 38.300 milhões de euros. No que toca à nova produção, atingiu 6.400 milhões de euros no ano, o que representa mais 10% do que a nova produção hipotecária de 2024. Com estes números, a quota de mercado do Bankinter situa-se nos 5% tanto em Espanha como em Portugal, e sobe para 7% na Irlanda.
A carteira de crédito a empresas concluiu o ano nos 36.700 milhões de euros, um aumento de 6% em relação a 2024.
”Destaca-se o crescimento da carteira de crédito do negócio internacional de empresas, totalizando 11.000 milhões de euros, mais do dobro do valor de há cinco anos”, refere o banco.
Quanto à morosidade, reduziu-se em 17 pontos base em comparação com o rácio de 2024, para 1,94%, com um rácio de cobertura muito sólido de 68%.
Relativamente aos recursos de clientes sob gestão atingiram os 156.600 milhões de euros, o que representa um aumento de 11,3%. Entre estes incluem-se recursos de retalho (principalmente depósitos e contas) que totalizam 88.100 milhões de euros, e que crescem mais 6,1%. Incluídos neste valor estão também os recursos geridos fora de balanço (fundos de investimento próprios e de terceiros, fundos de pensões, gestão patrimonial, SICAVs e investimento alternativo), que neste caso atingem 68.500 milhões de euros, com um crescimento recorde de 18,8% em relação ao mesmo valor de 2024, que já tinha sido particularmente bom.
Ganhos do Bankinter Portugal em 2025 foram de 210 milhões, com um crescimento de 7%
Os resultados antes de impostos do Bankinter Portugal em 2025 foram de 210 milhões de euros, com um crescimento de 7%. O rácio entre custos e proveitos que mede a eficiência é de 33%, ainda melhor do que em Espanha.
No que diz respeito a Portugal, o crescimento da carteira de crédito foi de 9%, para 11.000 milhões de euros. Os recursos de clientes de retalho ascenderam a 10.000 milhões de euros no final do ano, um crescimento de 8%. Quanto aos recursos geridos fora de balanço e ativos sob custódia, registaram um crescimento anual de 28%, superior ao de Espanha, atingindo os 11.000 milhões de euros.
Bankinter reporta forte dinâmica na atividade na Irlanda
Entre os diferentes mercados geográficos onde o Bankinter desenvolve atividade Espanha continua a representar a maior contribuição para a margem bruta, embora os restantes mercados aumentam a sua contribuição a um maior ritmo, tanto Portugal como, especialmente, Irlanda.
“Os dados de Espanha confirmam a boa evolução de um negócio rentável e plenamente consolidado, onde o Bankinter ainda conta com um enorme potencial”, refere o banco.
A carteira de crédito em Espanha alcançou os 68.000 milhões de euros, com um crescimento anual de 3%, mais acentuado no negócio de empresas. Os recursos de clientes de retalho atingiram os 80.000 milhões de euros, um crescimento de 5%. Destaca-se também o crescimento de 18% dos recursos geridos fora de balanço e ativos sob custódia, para 145.000 milhões de euros.
Os resultados antes de impostos do negócio em Espanha em 2025 foram de 1.283 milhões de euros, um crescimento de 14%.
Por sua vez, embora com volumes de negócio inferiores aos de Espanha e Portugal, a velocidade de crescimento do negócio na Irlanda é muito maior. A carteira de crédito cresceu 23% no ano, para 5.000 milhões de euros. Neste valor, 4.000 milhões de euros são hipotecas, um produto que está a tornar o banco numa referência neste mercado, com uma carteira que cresce 27%. O crédito ao consumo, que compõe o resto da carteira, conta com um crescimento ligeiramente inferior, de 11%. Todas as rubricas da conta de resultados na Irlanda cresceram a um ritmo mais rápido do que nas restantes geografias, com a margem bruta a aumentar 14%. Os resultados antes de impostos foram de 46 milhões de euros, 13% acima de 2024.
O Grupo Bankinter destacou que a Bankinter Gestión de Activos posiciona-se como a segunda gestora de ativos em Espanha, com as maiores entradas líquidas de fundos em 2025.
De entre recursos geridos fora de balanço, com um valor global que ascendeu a 68.500 milhões de euros, mais 18,8% do que há um ano, o banco destaca o crescimento dos fundos de investimento próprios do banco, que foi de 24,3%.
“Vale a pena destacar o desenvolvimento desta última atividade, o investimento alternativo, onde o Bankinter Investment se afirmou como um dos principais intervenientes na Península Ibérica. Até agora, a entidade lançou um total de 31 veículos de investimento em setores tão diversos como energias renováveis, residências estudantis, setor hoteleiro, logística imobiliária, infraestruturas, tecnologia, áreas comerciais, entre outros. O capital comprometido ultrapassa os 5.200 milhões de euros, com mais de 15.300 investidores e uma distribuição acumulada que ultrapassou os 1.500 milhões de euros”, segundo o comunicado do banco.
No que diz respeito aos ativos sob custódia, o Bankinter conclui 2025 com um volume de 88.000 milhões de euros, composto por uma carteira de 62.000 milhões de euros em valores de renda variável, mais 29% do que há um ano, e 25.000 milhões de euros em custódia de valores de renda fixa.
Por fim o Bankinter destaca a importância que está a assumir a aplicação da Inteligência Artificial generativa na melhoria da eficiência dos processos, da produtividade dos colaboradores e da qualidade do serviço prestado aos clientes.
“Este é um tema que o Bankinter está a promover através do programa AI First, liderado pela CEO, que servirá como um quadro de ação para dinamizar uma adoção eficiente desta tecnologia, alinhada com os objetivos empresariais do Bankinter”, conclui o banco.
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