Primeiro Barómetro da Lusofonia aponta saúde, educação e desemprego como grandes preocupações
O primeiro Barómetro da Lusofonia, que foi apresentado esta quarta-feira, revela que os temas saúde, educação e desemprego constituem as maiores preocupações dos cidadãos dos países de língua portuguesa.
Elaborado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Económicas (IPESPE), o relatório apresenta-se como um retrato da lusofonia estruturado em 25 indicadores, que a secretária-geral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) classifica como um “instrumento de grande valor estratégico” e “um exercício de auscultação”.
“O barómetro da lusofonia constitui uma ferramenta que permite auscultar, de forma sistemática, prioridades, orientações e expectativas. É um exercício de auscultação. A língua que partilhamos é, antes de mais, um instrumento de comunicação entre os cidadãos, mas também um instrumento de conhecimento, de oportunidades e de inclusão”, afirmou a Embaixadora Maria de Fátima Jardim no início da apresentação do instrumento, esta quarta-feira, na sede da CPLP.
À saúde (53%), educação (43%) e desemprego (34%) seguem-se, mostram com os resultados do barómetro, a violência (18%), a inflação (17%) e o acesso a água, energia e saneamento básico (15%) como principais preocupações para os cidadãos entrevistados, cujo universo totaliza 5688 cidadãos de oito dos nove países da CPLP (2.100 do Brasil, 300 de Timor-Leste…).
O relatório assinala que, apesar de aquelas principais preocupações serem transversais aos oito países, vale a pena observar a variação da ordem em que são apresentados. A amostra que representa Angola coloca no topo da lista educação (53%), saúde (48%) e desemprego (45%), “mas com peso significativamente maior de educação e desemprego em comparação à média dos países”. Segue-se a inflação (34%), que “assume relevância particularmente elevada, correspondendo ao dobro da média geral”, é destacado no documento.
Em Portugal, ao indicador saúde corresponde uma percentagem de 55%, de educação 35%, com o desemprego a ser o menos mencionado (9%) ao lado dos outros oito países, bem como a inflação (7%).
A Guiné-Bissau regista as percentagens mais elevadas entre todos os países e indicadores para a saúde (85%) e educação (78%). Passando a Moçambique, a educação surge em primeiro lugar (35%), seguida da saúde (28%) e do desemprego (21%).
Quanto a Timor-Leste, seis em cada dez entrevistados do país apontam para a saúde (59%), educação (59%) e desemprego (58%) como principais questões. Além disso, é o país da Comunidade em que a corrupção aparece de forma mais acentuada como problema relevante, com 39% de menções”, é referido no relatório. Ainda no indicador da corrupção, a amostra do Brasil representa 25%, a de Angola 10% e a da Guiné-Bissau 11%.
Olhando para Cabo Verde, o desemprego surge em primeiro lugar (60%), seguido da saúde (55%) e da violência (47%). No Brasil, este último indicador aparece em segundo lugar (40%), a seguir à saúde (45%). Quanto a São Tomé e Príncipe, a saúde está no topo das preocupações (48%), ao lado do indicador da água, energia elétrica e saneamento (48%).
Durante a apresentação desta quarta-feira, a secretária-executiva da CPLP defendeu que o barómetro da lusofonia “não deve ser visto como um ponto de chegada, mas como um ponto de partida”. “Oferece-nos algo essencial, evidencia e confirma que é urgente ter respostas políticas concertadas, informadas e orientadas para as pessoas. Temos oportunidade de, através dos nossos indicadores, programar o nosso progresso”, afirmou.
Segundo a equipa responsável pelo relatório, o “nível de instrução é a variável que produz as maiores clivagens na percepção dos problemas”.
A elaboração do barómetro contou com o apoio institucional da CPLP, do Ministério da Cultura do Brasil, da Missão do Brasil junto à CPLP, da AULP, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Fundação Itaú, da FGV Conhecimento, da Fundação Joaquim Nabuco e da Universidade de Coimbra.
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