“Quando há crises o turismo não colapsa, adapta-se”, afirma Cristina Siza Vieira
‘O turismo num mundo imperfeito’, foi o tema utilizado por Cristina Siza Vieira, vice-presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), numa viagem temporal por um setor que tem sobrevivido a todas as crises, sejam elas provocadas pelas guerras ou por uma pandemia.
“Quando há crises o turismo não colapsa, adapta-se. Sem hotelaria não há turismo. A hotelaria adapta-se quando os fluxos mudam, é autónoma e independente. A hotelaria é a normalidade e continuidade de um mundo instável”, afirmou durante o congresso da AHP que decorre na Alfândega do Porto.
Para além de guerras e pandemia, a responsável recordou que a crise do subprime trouxe a maior quebra no turismo até 2020, mas que nem assim o setor abalou.
“Estas crises não são novas, fazem parte da história. A história mostra-nos que o turismo nunca foi apenas lazer e a hotelaria nunca foi apenas alojamento, mas sempre resposta. O mundo nunca foi perfeito, as crises passam, mas o turismo continua. O turismo não enfrentou respostas novas”, referiu.
Siza Vieira salientou que durante séculos viajar foi um privilégio de poucos, mas que com a Revolução Industrial estreitaram-se distâncias.
“O turismo veio permitir dar estabilidade. Se até aqui a viagem nascia da necessidade, agora é uma decisão. O turismo deixou de ser uma atividade periférica e passou a ser de larga escala com influência económica, politica e na sociedade”, sublinhou.
No caso de Portugal, a hotelaria foi fundamental no 25 de Abril, quando o Hotel Altis em Lisboa recebeu os retornados vindos das colónias. “Os hotéis foram o abrigo económico das empresas”, realçou.
No pós-pandemia, muito mais do que os preços, a confiança foi fundamental para que o setor voltasse a retomar a atividade.
“Os preços baixos não substituem a confiança em determinados momentos. E a pandemia mostrou-nos isso, porque por muito baixos que os preços fossem as pessoas não podiam viajar”, afirmou.
De resto, Siza Vieira frisou que em contextos de crise o serviço torna-se a verdadeira vantagem competitiva, dando conta das mudanças nos atuais consumidores de luxo na hotelaria, que procuram o wellness, câmaras hiperbáricas e o reset espiritual, com o mínimo de intervenção de pessoas.
“Portugal tem oportunidades em captar estes clientes de hiperluxo. Podemos trabalhar as nossas equipas e pessoas porque sem elas não conseguimos prestar serviços. Perceber onde e com quem vamos investir. Como integrar a IA no nosso dia a dia. Como retemos e cativamos os nossos hóspedes”, sublinhou.
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