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Retalho europeu exposto ao cibercrime: falhas de segurança multiplicam riscos

Retalho europeu exposto ao cibercrime: falhas de segurança multiplicam riscos

O setor do retalho europeu enfrenta um cenário preocupante no domínio da cibersegurança. Uma análise conduzida pela Ethiack a 1.722 domínios de empresas do setor, representando mais de 57.898 ativos digitais revela falhas estruturais que aumentam significativamente a exposição ao cibercrime.
Entre os principais resultados, o estudo conclui que 16% das ligações HTTPS utilizam certificados SSL inválidos ou desatualizados, enquanto 17% dos servidores web expõem informações sensíveis sobre versões e software. Além disso, foram identificados 1.208 ativos críticos, incluindo servidores de email, painéis administrativos, VPN e sistemas de checkout com fragilidades relevantes.
O relatório surge após os ciberataques que atingiram grandes retalhistas britânicos em 2025, incluindo a Marks & Spencer, cujos lucros antes de impostos foram praticamente anulados após uma violação que perturbou operações online e em loja, e a Co-op, que perdeu 206 milhões de libras em receitas e enfrenta processos judiciais após o roubo de dados pessoais de clientes.
Uma das conclusões mais preocupantes aponta para a falta de visibilidade: cerca de 37% da superfície de ataque empresarial é desconhecida para as equipas de segurança, tornando impossível proteger ativos que não são monitorizados.
Os ativos mais críticos revelam fragilidades desproporcionais. O webmail apresenta a pior postura de segurança: 30% expõem configurações sensíveis e 10% aplicam más práticas de SSL. Estes sistemas, se comprometidos, podem causar interrupções operacionais severas e perdas significativas de dados.
O estudo identifica múltiplas vulnerabilidades críticas ativas (CVEs), incluindo falhas com classificação CVSS 10.0, o nível máximo de gravidade. Ao mesmo tempo, o número de vulnerabilidades divulgadas aumentou 16% em 2025 e o tempo médio até exploração por cibercriminosos já é inferior ao tempo de deteção pelas organizações.
Este cenário coloca em causa abordagens tradicionais de testes de segurança periódicos, consideradas insuficientes face à velocidade atual das ameaças.
O relatório sublinha ainda o papel das grandes organizações na proteção do ecossistema digital. Pequenas empresas, frequentemente menos protegidas, tornam-se pontos de entrada para ataques. Ao impor padrões rigorosos e testar fornecedores, as grandes empresas podem criar um efeito de imunidade de grupo.
Os especialistas alertam que o panorama de ameaças irá intensificar-se em 2026, impulsionado pela inteligência artificial, que permite aos atacantes escalar campanhas de engenharia social e automatizar testes de intrusão sofisticados.
Segundo Jorge Monteiro, CEO da Ethiack, “a forte dependência do setor de retalho do comércio eletrónico, de programas de fidelização e de pagamentos digitais torna-o um alvo atrativo para cibercriminosos. Qualquer retalhista pode ser atacado, e até pequenas falhas de segurança podem ter consequências desproporcionadas.”
O responsável acrescenta que “a maioria dos problemas não resulta de negligência ou erro. Acontecem porque os sistemas de TI dos retalhistas são complexos e estão em constante evolução. Pequenas más configurações podem surgir sem que ninguém se aperceba.”
As conclusões do estudo apontam para três implicações críticas: lacunas de visibilidade criam superfícies indefensáveis; abordagens tradicionais não acompanham a velocidade das ameaças; e ativos essenciais enfrentam riscos desproporcionais.
Perante este cenário, especialistas defendem a adoção de testes de segurança contínuos e automatizados, capazes de identificar vulnerabilidades antes de serem exploradas.
Num setor cada vez mais digital, a cibersegurança deixou de ser apenas uma questão técnica — tornou-se um imperativo estratégico.

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