A carregar agora

Habitação: Governo avisa que “não vai ceder aos gritos que vêm da rua”

Habitação: Governo avisa que “não vai ceder aos gritos que vêm da rua”

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, afirmou esta sexta-feira, 16 de outubro, que o problema da habitação “não se resolve com bandeiras da Palestina”, nem com tumultos e avisou que o Governo “não vai ceder aos gritos que vêm da rua”.
As declarações foram feitas durante uma interpelação ao Governo agendada pelo PCP sobre a subida do custo de vida, na qual o deputado do CDS-PP Paulo Núncio trouxe ao debate a intervenção policial no protesto pela habitação no Porto, na madrugada desta quinta-feira.
O líder da bancada centrista apelou ao executivo, à Câmara do Porto e às forças de segurança que tenham “determinação e coragem” para “pôr na ordem” o que caracterizou como uma “minoria de arruaceiros que ocupou ilegalmente o espaço público, enchendo a Praça D. João I de tendas, graffiti e de toda a espécie de lixeira”.
Na réplica, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, afirmou que o Governo defende o direito à manifestação, mas que todos os direitos devem obedecer a regras.
“Encaramos o problema da habitação como um problema muito sério, […] mas que se desenganem todos aqueles que julgam que as soluções para esse tipo de problemas nascem do tumulto, da turbulência e da desorganização, da falta de ordem pública”, atirou.
Ao longo do debate, em resposta às críticas da esquerda, o ministro acusou ainda o líder do BE, José Manuel Pureza, de ter apelado à insurreição e deixou um aviso: “O Governo não vai ceder aos gritos que vêm da rua”.
“Este Governo resolve problemas com políticas públicas, com soluções sérias, com soluções construídas (…). Nós resolvemos os problemas com os ingredientes da realidade e tentando sempre e conseguindo resolvê-los dentro do espírito, repito, da moderação, do humanismo e da defesa do Estado de Direito”, acrescentou.
Abreu Amorim defendeu que este problema “resolver-se-á com políticas públicas sérias, calibradas e que é isso que o Governo está a fazer”, acrescentando que a crise na habitação “não se resolve com bandeiras da Palestina, que não têm o condão de construir casas”.
“O problema da habitação não se resolve com ‘slogans’, não se resolve com a alteração da ordem pública e por isso este Governo estará sempre na primeira linha da defesa da ordem pública, da segurança e da tranquilidade dos cidadãos”, afirmou ainda.
As acusações de Abreu Amorim – que se referiam a uma publicação feita pelo líder bloquista nas redes sociais – levaram o deputado do BE, Fabian Figueiredo, a pedir a defesa da honra e a acusar o ministro de ter um passado ligado à extrema-direita.
Ainda à esquerda, Jorge Pinto, do Livre, dirigiu uma “palavra de solidariedade” com quem foi “violentamente e desproporcionalmente agredido enquanto exercia de maneira pacífica, democrática e legítima o seu direito à manifestação”, salientando que o Porto é uma “cidade liberal, republicana” e uma “cidade da liberdade”.
Posteriormente, o deputado do PS João Torres afirmou que “ninguém quer importar climas de conflitualidade que não existem em Portugal”, mas defendeu que o “Governo tem de fazer um exame de consciência, abandonar a arrogância, deixar de ignorar alertar e, sobretudo, começar a ouvir os portugueses com humildade”.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, encerrou o debate com uma resposta a Abreu Amorim, acusando o Governo de dizer que não vai ceder à rua, enquanto cede facilmente perante o “piscar de olhos dos grupos económicos, dos gabinetes, dos grandes donos, daqueles que se acham donos disto tudo”.
À direita, Bruno Nunes, do Chega, ironizou com uma saudação ao PSD por ter “finalmente” apresentado um “ministro de direita” a debate, frisando que faltou apenas à intervenção de Abreu Amorim um apelo: “Encostem-nos à parede uma por todas por aquilo que têm feito em Portugal e por esta vergonha de intervenção, de ataque às forças de segurança”.
A deputada da IL Angélique da Teresa condenou o que considerou serem “tentativas veladas e sonsas de apelo à destruição e ao caos e à importação daquilo que tem acontecido em França”.

Share this content:

Publicar comentário