A carregar agora

Nova agência norte-americana anti-tráfico ajudou ao ataque mexicano a El Mencho

Nova agência norte-americana anti-tráfico ajudou ao ataque mexicano a El Mencho

Um novo grupo liderado pelos militares norte-americanos e especializado na obtenção de informações sobre cartéis de drogas desempenhou um papel determinante na operação militar mexicana que este domingo permitiu aniquilar o narcotraficante conhecido como ‘El Mencho’. O grupo, refere a agência Reuters, envolve diversas agências da administração norte-americana e foi lançado oficialmente no mês passado com o objetivo de mapear as redes de membros de cartéis de drogas em ambos os lados da fronteira comum.
A agência adianta que o grupo elaborou um pacote detalhado de informações sobre o mexicano El Mencho, que foi enviado para diversas entidades do país, nomeadamente o governo, o líder da oposição e o exército – que assim foram cooptados para estarem a par da operação e, de algum, a apoiarem. El Mencho estava no topo da lista de alvos dos Estados Unidos no México e o material enviado era, eventualmente entre outras fontes, compilado pelos serviços secretos norte-americanos.
Na sequência da operação desencadeada em parceria, as autoridades mexicanas mataram o narcotraficante Nemesio Oseguera, conhecido como El Mencho, durante uma operação para o capturar no estado de Jalisco, no oeste do país. A operação desencadeou uma onda de violência, com carros incendiados e homens armados bloqueando rodovias em pelo menos seis Estados mexicanos – o que é um sintoma que costuma manifestar-se quando operações deste género são efetivadas.
O Ministério da Defesa do México afirmou que as autoridades norte-americanas forneceram “informações complementares”, mas que a operação foi da responsabilidade do governo mexicano, que a planeou e executou, não tendo estado fisicamente envolvido qualquer nenhum militar norte-americano.
Oseguera, de 59 anos, ex-polícia, era o líder misterioso do poderoso Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), uma organização criminosa internacional considerada uma das mais poderosas do México. Conseguiu sempre escapar da prisão, apesar de haver uma recompensa de 15 milhões de dólares oferecida pelos Estados Unidos por informações que levassem à sua captura. A sua morte representa, segundo os analistas, uma grande vitória para a guerra do governo do México contra os cartéis de drogas responsáveis ​​pelo contrabando de milhões de dólares em cocaína e fentanil para os Estados Unidos – com ramificações para o transporte ilegal de imigrantes para o lado norte-americano da fronteira. Recorde-se que a administração Trump tem pressionado o governo da presidente mexicana Claudia Sheinbaum para intensificar o combate ao narcotráfico, incluindo ameaças de intervenção direta no México.
Ainda segundo a Reuters, o grupo norte-americano, uma agência da administração, é liderado pelo general de brigada norte-americano Maurizio Calabrese. Em declarações à Reuters, disse que os militares dos Estados Unidos estão a canalizar a sua experiência no combate a grupos como a Al Qaeda e o Estado Islâmico para mapear as redes de tráfico. “Os cartéis operam de forma diferente da Al-Qaeda ou do ISIS, com motivações diferentes, o que torna ainda mais importante identificar redes inteiras para que possamos desarticular e desmantelar essas atividades”, disse Calabrese. O militar disse que as estimativas variam bastante, mas possivelmente havia algumas centenas de membros centrais do cartel agora atacado. “Entre 200 mil e 250 mil contratados independentes ajudam a transportar as drogas” entre o México e os Estados Unidos.
Jack Riley, ex-alto funcionário da Administração de Combate às Drogas (DEA), afirmou que a designação dos cartéis mexicanos como organizações terroristas por parte de Trump no ano passado abriu caminho para novos tipos de assistência militar norte-americana. Recursos de inteligência, vigilância e reconhecimento das forças armadas foram assim acrescentados ao combate ao tráfico. “A nossa capacidade de vigilância provavelmente é ilimitada, e isso realmente ajudará com informações em tempo real”, disse Riley à Reuters.
 
Traído pelo ‘coração’
A visita a uma companheira por parte de Nemesio Oseguera levou à sua captura e morte, disseram autoridades mexicanas. O bandido morreu num helicóptero após ser ferido na operação militar das forças especiais mexicanas numa área arborizada nos arredores da cidade de Tapalpa, no Estado de Jalisco.
O ministro da Defesa, Ricardo Trevilla, afirmou que informações de uma confidente de uma das parceiras amorosas de Oseguera ajudaram as autoridades a planear rapidamente a operação em apenas um dia. Durante a operação, os homens armados de Oseguera abriram fogo contra as forças de segurança e o combate deslocou-se para um complexo de cabanas onde ele e dois de seus guarda-costas foram feridos. Os três foram transportados de helicóptero para a Cidade do México, mas não sobreviveram.
A morte de Oseguera desencadeou violência em todo o México, com membros leais aos cartéis a bloquearem estradas e a incendiarem carros em represália contra o governo. O ministro da Segurança, Omar García Harfuch, disse que 30 membros de cartéis foram mortos nesses ataques, além de um civil. Pelo menos 70 pessoas foram presas em sete Estados. As autoridades registaram pelo menos 85 bloqueios de estradas em todo o México. Os distúrbios levaram ao cancelamento de voos por diversas companhias aéreas no domingo.

Share this content:

Publicar comentário