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Ministros das Relações Exteriores da UE recusam apoiar mudança de regime no Irão

Ministros das Relações Exteriores da UE recusam apoiar mudança de regime no Irão

Ao cabo de uma demorada reunião por videoconferência, os ministros das Relações Exteriores da União Europeia afirmaram estar a tomar todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos cidadãos do bloco que permanecem no Médio Oriente e alertaram para o perigo que constitui a escalada da tensão regional. A Alta Representante Kaja Kallas divulgou uma declaração conjunta após um encontro de três horas.
Um número desconhecido de cidadãos europeus está retido no Irão e noutros países da região, num contexto em que Israel e os Estados Unidos iniciarem bombardeamentos contra o Irão no sábado, seguidos da retaliação do regime de Teerão – que perdeu o seu líder máximo, Ali Khamenei. O Irão lançou contra-ataques atingindo vários alvos no Médio Oriente, o que causou o caos na aviação, com milhares de voos cancelados em importantes centros, como Dubai e Abu Dhabi, e a retenção de muitos passageiros, que não puderam regressar aos seus destinos.
“A União Europeia e os seus Estados-membros estão a tomar todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos cidadãos da União na região, incluindo a ativação do Mecanismo de Proteção Civil, se necessário”, afirmava a declaração conjunta. Este mecanismo é uma ferramenta para insistir na cooperação entre as nações europeias na prevenção de desastres e na resposta a crises.
Os ministros alertaram para que os acontecimentos no Irão não devem levar a uma escalada, que teria consequências económicas imprevisíveis, e pedira, que se evitem interrupções no Estreito de Ormuz, um importante corredor para o petróleo transportado por via marítima – cujos preços estão esta manhã está a disparar para níveis próximos dos 10%.
A declaração conjunta não subscreve as aspirações dos Estados Unidos e de Israel por uma mudança de regime no Irão. “A UE reitera a sua solidariedade com o povo iraniano e apoia firmemente as suas aspirações fundamentais por um futuro em que os seus direitos humanos universais e liberdades fundamentais sejam plenamente respeitados”, afirma o comunicado.
No domingo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu uma mudança de regime no Irão numa publicação nas redes sociais. “Uma transição crível no Irão é urgentemente necessária”, disse, dando mostras de que não tem a mesma opinião que aquela que consta da declaração conjunta. O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que o seu governo partilha do “alívio” de muitos iranianos com a possibilidade do fim do “regime dos aiatolas”. Reconheceu a ambiguidade jurídica dos ataques dos EUA-Israel, mas argumentou que “não faz sentido dar lições aos aliados” quando se enfrenta um “regime terrorista” que põe em risco a segurança global.
Do outro lado, Espanha e Eslovénia defenderam a desaceleração da tensão. “A guerra e a violência não podem ser normalizadas como formas de resolver conflitos. A Espanha apela ao respeito pelo direito internacional”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, nas redes sociais. A ministra das Relações Exteriores da Eslovénia, Tanja Fajon, também pediu calma e moderação. “O uso da força põe em risco a vida de pessoas inocentes e tem sérias consequências para a paz e a segurança”, disse.
Recorde-se que a  presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, convocou uma reunião do Colégio de Segurança para esta segunda-feira.

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