António Henriques, CEO do Bison Bank: “Os bancos portugueses devem investir noutros países digitalmente”
António Henriques, CEO do Bison Bank, sublinhou as capacidades e características da internacionalização da banca portuguesa. “Não encontro países que façam melhor banca do que nós, mas falta-nos ambição. Estamos muito concentrados no paradigma português, contudo é relativamente simples investir fora do país, o mundo é digital, os bancos portugueses devem investir noutros países digitalmente”.
Numa entrevista conduzida por Ricardo Santos Ferreira, sub-diretor do Jornal Económico, durante o Fórum Banca 2026, que se realiza esta terça-feira no hotel Ritz, o responsável do Bison Bank afirmou que a instabilidade geopolítica é um fator que deve ser aproveitado por Portugal.
“Portugal tem um ativo que não é mensurado nem vendido corretamente e deve usar a estabilidade como o seu ativo, como o seu ouro, e vendê-lo dessa forma. Estamos a vender Portugal muito barato. Devíamos usar essa capital para termos um país melhor daqui a 10, 20 anos”. O responsável indicou ainda que Portugal é um país procurado por estrangeiros pela sua estabilidade. A maioria dos estrangeiros que procuram Portugal são pessoas com elevado rendimento médio que procura estabilidade. Procuram isso e não um passaporte. É um ativo finito com valor infinito”.
O uso da Web3 e da IA
Numa conversa sobre a web3 e a Inteligência Artificial (IA), o responsável do Bison Bank indicou que a relação dos bancos com a IA tem apenas uma questão: “A IA tem sempre é o erro, e o sistema bancário procura sempre algo que não tenha erro”, sobre se a IA vai alterar o negócio da banco, António Henriques acredita que não vai alterar o negócio, mas sim “acelerar o modelo de negócio”.
Sobre a Web3, o CEO explicou que é “uma base de dados global altamente estrutura. É imaginar a IA aplicada a dados estruturados”. À pergunta se a Web3 tem ainda uma utilização incipiente no setor, sobretudo na questão de branqueamento de capitais, o responsável retorquiu indicando que “tudo o que se puder adicionar ao sistema financeiro para combater essa fragilidade seria ótimo. O processo de identificação de transações menos convenientes são possíveis de detetar com esta tecnologia”.
Nova stablecoin este ano
Abordada a questão da tokenização da banca, o CEO do Bison Bank anunciou o lançamento de uma stablecoin ainda este ano. Contudo, António Henriques discorda do custo trazido pela processo de tokenização que investidores, seguros e fundos reclamam. “Num processo de web 3 os ativos passam de A para B, e não há mais nada para fazer depois”. E exemplificou: “Para transferir dólares de Portugal para a Austrália é necessário o envolvimento no processo de, no mínimo, sete a oito bancos. Uma stablecoin consegue atuar dentro dos seus membros credenciados, fazendo um pagamento de A a B evitando ter esse número de bancos no caminho e trazendo mais clarificação para os clientes”.
Organizado pelo Jornal Económico, o Fórum Banca 2026 decorre esta manhã no hotel Ritz, em Lisboa. Siga aqui a transmissão do evento em direto.
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