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Unimadeiras apresenta ao Governo plano de recuperação da floresta

Unimadeiras apresenta ao Governo plano de recuperação da floresta

Perante os impactos das tempestades que recentemente afetaram várias áreas florestais do país, a Unimadeira apresenta uma proposta de política pública que visa estabilizar o mercado da madeira e acelerar a recuperação do potencial produtivo da floresta portuguesa. A proposta, refere comunicado, surge adaptada ao contexto atual e representa uma alternativa à criação de parques públicos de armazenamento de madeira, uma medida defendida por alguns produtores florestais para evitar a queda abrupta dos preços após eventos climáticos extremos.
O que a Unimadeiras sustenta “é um modelo diferente que tem na base um incentivo público à recuperação do potencial florestal em vez da intervenção direta do Estado na compra e no armazenamento de madeira.  O projeto prevê um apoio de 20 euros por tonelada de madeira afetada, associado à implementação de gestão florestal ativa e certificada, incluindo reflorestação e integração em mosaicos de gestão territorial. Com base no volume estimado de madeira derrubada, o custo total seria de cerca de 40 milhões de Euros. Um valor significativamente inferior ao custo potencial de um sistema de compra e armazenamento público de madeira. Uma abordagem que, segundo o maior grupo florestal português, permite responder à emergência económica criada por eventos climáticos extremos, enquanto reforça a resiliência estrutural da floresta portuguesa”.
Segundo Nuno M. Pinto, diretor de Sustentabilidade e Inovação do grupo, citado pelo comunicado, “a experiência mostra-nos que os parques públicos de madeira não resolveram os problemas estruturais do setor e acabaram por gerar custos elevados, distorções no mercado e até casos de fraude que lesaram o Estado. A solução passa por apoiar diretamente os proprietários na limpeza e recuperação das áreas afetadas, promovendo a gestão ativa e certificada. É uma abordagem inovadora, mais eficiente, mais justa e que contribui verdadeiramente para uma floresta mais resiliente.”
Esta proposta que a Unimadeiras pretende entregar à nova equipa do Ministério da Administração Interna e aos grupos parlamentares setoriais correspondentes inclui ainda uma garantia associada à gestão sustentável, assegurando que os apoios públicos sejam atribuídos exclusivamente aos proprietários que adotem práticas verificáveis de gestão florestal, participem em mosaicos de gestão territorial e assegurem a manutenção das áreas reflorestadas. Uma política que permitirá simultaneamente acelerar a recuperação das áreas afetadas pelas tempestades, reduzir riscos fitossanitários associados à madeira derrubada, estabilizar o funcionamento do mercado da madeira, promover uma gestão mais integrada da paisagem florestal e começar a reduzir o risco de incêndios.
“Eventos climáticos extremos como aquele que tivemos com as tempestades recentes e que perduraram ao longo de dias, tornam urgentes novas políticas públicas que estejam adaptadas a esta realidade e que respondam de forma ágil aos choques de mercado, sem distorcer o seu funcionamento. Num país onde a maioria da floresta é propriedade privada e altamente fragmentada, consideramos que incentivos associados à gestão ativa e à reflorestação representam a solução mais eficaz para mobilizar investimento, recuperar o território e reforçar a competitividade da fileira florestal portuguesa. Em suma, a nossa solução é adaptada ao contexto atual e futuro”, reforça, Nuno M. Pinto.
De acordo com estimativas preliminares, as tempestades que atingiram o território nacional em fevereiro provocaram a queda de cerca de dois milhões de toneladas de madeira, sobretudo em povoamentos de pinheiro-bravo na região centro. Este volume extraordinário representa um choque súbito de oferta no mercado, com impactos logísticos e económicos significativos para proprietários florestais e operadores da fileira.
A Unimadeiras é uma empresa dedicada à produção, comércio e exploração florestal, com mais de 50 anos de atividade. Envolve uma base de cerca de 700 acionistas e uma rede alargada de mais de seis mil produtores florestais, assumindo uma posição de liderança no comércio por grosso de madeira em bruto e produtos derivados em Portugal. A empresa participa ainda em processos de certificação florestal e presta serviços técnicos de apoio à gestão do território, contribuindo para a valorização da produção de pequenos e médios produtores. No conjunto das estruturas que representa, encontra-se associada a uma área florestal certificada superior a 96 mil hectares.

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