Habitação puxa pelo crédito em 2024 com forte adesão dos jovens, diz Banco de Portugal
O Banco de Portugal divulgou hoje a caracterização sociodemográfica das pessoas que recorreram ao crédito junto de instituições financeiras residentes em 2024. Os dados, apurados a partir da Central de Responsabilidades de Crédito, dizem respeito a novos contratos celebrados com particulares em Portugal, excluindo transferências entre instituições.
De acordo com a análise, foram realizados 2,2 milhões de novos contratos de crédito, envolvendo 1,7 milhões de pessoas, num montante global de 29 mil milhões de euros. Apesar de o número de contratos ter sido semelhante ao registado em 2023, o valor total concedido aumentou 26%.
A maioria dos clientes (61%) eram trabalhadores por conta de outrem e 41% tinham o ensino secundário como nível de escolaridade. Destaca-se ainda o aumento do peso dos devedores estrangeiros, que passou de 13% em 2023 para 14% em 2024, sendo que metade destes tinha nacionalidade brasileira.
Crédito à habitação cresce de forma significativa
No segmento do crédito à habitação própria permanente, foram celebrados 90 mil contratos, um aumento de 32% face ao ano anterior, envolvendo 138 mil pessoas. Metade destes créditos teve um valor igual ou inferior a 130 mil euros, sendo que dois terços se situaram entre os 50 mil e os 200 mil euros. Apenas 5% ultrapassaram os 300 mil euros.
A análise revela que 80% dos beneficiários deste tipo de crédito trabalhavam por conta de outrem e mais de metade (53%) possuía ensino superior. Em termos geográficos, 22% residiam na Grande Lisboa e 18% na Área Metropolitana do Porto.
Um dado relevante é o peso dos mais jovens, já que 43% das pessoas que contraíram crédito à habitação própria permanente tinham entre 18 e 35 anos, mais dois pontos percentuais do que em 2023.
Recorde-se que a garantia pública para crédito habitação jovem em Portugal (até 35 anos) entrou em vigor no dia 28 de setembro de 2024. Esta medida, que permite ao Estado garantir até 15% do valor da casa para financiamento a 100%, foi regulamentada pela Portaria 236 A/2024, de 27 de setembro
Outra das conclusões é que no crédito para segunda habitação houve uma forte presença estrangeira.
O chamado “outro crédito à habitação”, que inclui financiamento para segundas habitações, arrendamento ou terrenos, representou 13% do montante total concedido neste segmento. Metade dos contratos não ultrapassou os 112 mil euros.
Neste tipo de crédito, os estrangeiros tiveram um papel significativo, representando 30% dos devedores — sobretudo oriundos do Brasil, Estados Unidos e Angola. No entanto, quando considerados apenas os residentes fora de Portugal, essa percentagem desce para 23%. Ainda assim, os estrangeiros foram responsáveis por 45% do montante total concedido, abaixo dos 50% registados em 2023.
Em 2024, 593 mil pessoas recorreram ao crédito pessoal, sendo que metade dos empréstimos não ultrapassou os 3,5 mil euros. Já o crédito automóvel registou 224 mil contratos, um crescimento de 12% face ao ano anterior. A maioria destes financiamentos (74%) foi inferior a 20 mil euros, e apenas 1% superou os 50 mil euros.
No crédito pessoal, 51% dos clientes eram homens, percentagem que sobe para 58% no crédito automóvel. Os estrangeiros representaram 9% dos beneficiários de crédito pessoal e 13% no crédito automóvel.
Em resumo, os dados mostram um aumento significativo no valor total do crédito concedido em 2024, com destaque para o crescimento do crédito à habitação própria permanente e para a maior participação de jovens e estrangeiros no acesso ao financiamento.
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