Intermediários não bancários representam 88% do total de entidades financeiras em Portugal e 14% do ativo do setor
O Banco de Portugal publicou hoje, através da sua plataforma BPstat, a mais recente Nota de Informação Estatística relativa ao setor dos outros intermediários financeiros, auxiliares financeiros e instituições financeiras cativas e prestamistas (OIFAF), referente ao ano de 2025.
Na nota, o banco central dá conta que no final de 2025, o ativo dos outros intermediários financeiros, auxiliares financeiros e instituições financeiras cativas e prestamistas (OIFAF), ou seja intermediários não bancários, totalizava 135,9 mil milhões de euros, menos 2,2 mil milhões do que no final de 2024. O decréscimo do ativo deveu-se sobretudo à extinção de entidades (-9 mil milhões de euros) do subsetor das instituições financeiras cativas e prestamistas.
Em contrapartida, registou-se um crescimento no subsetor dos outros intermediários financeiros, cujo ativo aumentou 3,3 mil milhões de euros, impulsionado principalmente pelos veículos de titularização de crédito. O stock de empréstimos concedidos por estes veículos subiu 2,6 mil milhões de euros, atingindo 17,5 mil milhões de euros no final do ano — uma recuperação face ao mínimo histórico verificado em 2024. Os principais setores cedentes de crédito mantiveram-se as instituições financeiras monetárias (8,1 mil milhões de euros) e as outras instituições financeiras não monetárias (7,3 mil milhões de euros).
O ativo das instituições financeiras cativas e prestamistas diminuiu 5,7 mil milhões de euros, enquanto o dos auxiliares financeiros registou um ligeiro aumento de 0,2 mil milhões de euros.
“Embora não estejam autorizadas a captar depósitos ou instrumentos equiparados, as instituições financeiras não monetárias — e em particular o setor OIFAF — desempenham um papel complementar relevante na economia portuguesa, canalizando recursos entre agentes com excedente e agentes com necessidades de financiamento”, explica o banco central.
No final de 2025, o setor era composto em 58% por “auxiliares financeiros (mas apenas 6% do ativo total); 37% eram instituições financeiras cativas e prestamistas (representando 73% do ativo total); 5% eram outros intermediários financeiros (21% do ativo total).
As instituições financeiras cativas e prestamistas incluem sociedades gestoras de participações sociais (SGPS), prestamistas e entidades de finalidade especial. O seu ativo é dominado por títulos de capital, e o passivo por capital e reservas.
Os outros intermediários financeiros (excluindo seguradoras e fundos de pensões) englobam entidades de intermediação financeira, financiando-se via empréstimos de outras instituições ou emissão de títulos. Destacam-se as entidades de titularização de crédito, que representam apenas 2% das entidades do subsetor, mas 64% do seu ativo — justificando a predominância de empréstimos concedidos no ativo e de títulos emitidos e empréstimos no passivo.
O BdP explica que os auxiliares financeiros facilitam a intermediação sem a realizar diretamente, abrangendo corretores de seguros, sociedades gestoras de fundos e patrimónios, instituições de pagamento, agências de câmbio, entre outros, com ativo e passivo relativamente diversificados.
No conjunto, o setor OIFAF representava 88% do total de entidades financeiras em Portugal e 14% do ativo do setor financeiro nacional. O sistema bancário (bancos residentes e banco central) continuava dominante, com 72% do ativo financeiro total.
Estas instituições — que abrangem sociedades de investimento, empresas de factoring, sociedades de garantia mútua, instituições de pagamento, instituições de moeda eletrónica, corretoras, gestoras de patrimónios, entre outras — desempenham um papel complementar ao dos bancos tradicionais no sistema financeiro português, defende o Banco de Portugal.
O Banco de Portugal destaca na nota que os dados agora divulgados permitem acompanhar a evolução do peso relativo deste segmento no financiamento à economia, bem como eventuais mudanças na estrutura de risco e na intermediação financeira não bancária.
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