People Engagement Summit distingue boas práticas e traz pistas para lidar com a IA
Mais de 350 líderes e gestores de talento estiveram presentes no People Engagement Summit, promovido pela Cegoc com dois objetivos principais: revelar os resultados da 10.ª edição do People Engagement Survey (PES) e premiar as empresas com as melhores práticas de gestão de talento. O encontro foi, sobretudo, uma jornada de reflexão com a revelação dos resultados do People Engagement Survey, o estudo anual da Cegoc em parceira com o ISCTE – Executive Education, que analisa o nível de envolvimento, a satisfação e a intenção de saída dos colaboradores em organizações de diferentes setores de atividade. Considerado um dos barómetros mais abrangentes sobre experiência de trabalho em Portugal, identifica tendências emergentes e fornece insights estratégicos para a gestão de pessoas. Este ano o mote foi o Engagement na Era da Inteligência Artificial e o estudo forneceu inputs importantes sobre o que está a acontecer nas organizações com a introdução desta tecnologia. Neste Summit, as suas ameaças e oportunidades foram amplamente debatidas em keynotes, case studies, debates e entrevistas.
Um acolhimento muito motivador
O evento começou por transmitir muita energia e motivação, através de uma animada performance musical pelo grupo Ritmos Urbanos, que incluiu o hino do evento como refrão “somos engagement e motivação”, a lembrar este desafio dos gestores de talento
Seguiram-se a intervenção de Ricardo Martins, CEO da Cegoc que, a propósito dos 10 anos do Estudo, deu relevo à parceria com o ISCTE, responsável pela “profundidade científica e rigor académico ao People Engagement Survey (PES)”, e para a presença do professor emérito António Caetano, criador da ferramenta e dos professores José Crespo de Carvalho, Presidente no ISCTE Executive Education, e Professor Henrique Duarte que atualmente acompanha o People Engagement Survey (ver caixa).
Bem-estar continua a ser prioridade
Coube a Gonçalo de Salis Amaral, Head of People And Culture da Cegoc e a Henrique Duarte, professor do ISCTE e coordenador cientifico do Estudo, o overview dos resultados globais deste ano. Foi revelado que o bem estar dos colaboradores continua a ser o ponto mais importante para a retenção de talento e a respetiva motivação. Fatores como o bem-estar psicológico, a humanização das relações de trabalho, o impacto da automação e da inteligência artificial e os novos modelos de organização do trabalho terão de manter-se como prioridade para as empresas que querem equipas motivadas. Gonçalo explicou que se mantiveram as quatro dimensões de analise — Dinâmica organizacional, Clima, Práticas e Gestão das Pessoas — cujas subdimensões foram atualizadas e revelou que, este ano, foram adicionados dois blocos relacionados com a Automação e a Inteligência Artificial, sendo aferidos quanto à sua gestão e introdução.
Em termos de resultados globais, num panorama dos 10 anos, nota-se que até ao período da pandemia houve um crescimento no índice de satisfação global. Porém, após a mesma, verifica-se uma queda de satisfação, com o setor do turismo e hotelaria a registar a mais acentuada. Por essa razão, um dos case studies foi dedicado a esse sector.
O professor Henrique Duarte alertou para as razões da chamada saída silenciosa, que ocorre quando o colaborador está na empresa sem, na verdade, ali estar. Sente-se desmotivado e isolado, o que leva a perder a iniciativa. Segundo o estudo, o que leva a esta situação são o excesso de trabalho, o tratamento desrespeitoso e a pressão de uma supervisão abusiva. Insistiu na questão da dignidade enquanto elemento fundamental para o bem estar dos colaboradores, que envolve o reconhecimento, as relações significativas na empresa e o equilíbrio trabalho-família, entre outros.
Uma ode ao talento
Pedro Gomes Santos, CEO da Inetum Portugal, foi o orador convidado pela Cegoc para partilhar o seu parecer e a sua experiência na keynote “Inteligência Artificial, Emoção Humana: A Nova Equação do Envolvimento e Talento”. Ao reconhecer que “as máquinas estão a aprender”, Pedro Gomes Santos defendeu que a liderança é sempre humana. Interrogou se estarão as pessoas a aprender a liderar face à velocidade com que a IA opera e lembrou que a adoção desta tecnologia assusta pela redução de custos que representa com a automatização de algumas tarefas. Mas indica caminhos muito positivos ao sugerir que “as empresas são sistemas humanos e a IA é uma ferramenta de suporte”, e que a solução é ajudar as pessoas a desenvolverem a sua carreira profissional num contexto em que o conhecimento — agora apenas à distância de um bom prompt — deixou de ser uma vantagem. Para Pedro, o valor está nas competências humanas de empatia, criatividade, discernimento e liderança. Logo, a humanidade é a chave do sucesso.
A experiência em Case Studies
Ainda durante a manhã tiveram lugar dois case studies:
“Engagement sem fronteiras: soluções do público ao privado para atrair, envolver e motivar Talento”, com Armando Cardoso, vereador da Câmara Municipal de Oeiras e Patrícia Durães, Talent Manager Director dos CTT que marcou a manhã com o diálogo entre o público e o privado, e “Do Check-in ao Check-out: Engagement sem sazonalidade no setor do Turismo”, em que Ana Paula Pais, diretora coordenadora do turismo de Portugal e Vitor Silva, diretor de RH do Intercontinental Lisboa, conversaram sobre como manter o envolvimento de equipas em contextos exigentes com sazonalidade e elevada rotatividade.
Um debate fundamental
“Isolamento Social e Bem Estar Psicológico: como reconstruir a ligação e travar a saída silenciosa” foi o título do debate que se seguiu, com a participação de Rita Roque de Figueiredo, Head of Health, Safety & Wellbeing da Fidelidade, Ana Gama Marques, Diretora de Pessoas e Organização da MEO e Paulo Barreto, Diretor de Recursos Humanos do Crédito Agrícola. Mais uma vez se destacou a importância dos valores humanos e a necessidade de acompanhar as pessoas, e de promover uma cultura de cuidado e bem estar. Referiu-se ainda a importância de manter claros a missão e o propósito de cada função, tratando todos por igual sem deixar de atender a casos particulares.
Burnout e trabalho híbrido
A tarde teve início com mais dois case-studies. “Cuidar de quem cuida: mitigar o burnout no setor da saúde” foi o tema da conversa entre Sofia Fernandes, Diretora de Pessoas e Talento do Grupo Lusíadas Saúde e Helena Ravara, Head of Talent Assessment & Advisory e Partner Search na Neves de Almeida. A destacar o facto de que quem cuida dos doentes também precisa de ser cuidado e que esta atenção é uma responsabilidade de gestão com impacto direto na qualidade dos cuidados prestados e na sustentabilidade das equipas.
O tema do segundo case study da tarde foi “Trabalho híbrido… ameaça à coesão? Rituais e práticas para reforças a proximidade, à distância”. Foi a vez de Nuno Oliveira, Chief People & Culture Officer da Zurich Portugal e Pedro Henriques, HR Head Portugal na Siemens partilharem as suas experiências e pareceres sobre os equilíbrios que exige o trabalho híbrido, incontornável sobretudo desde a pandemia. Ambos sustentaram com dados que a qualidade do envolvimento não se mede pelo número de dias no escritório, mas pela forma como o modelo de trabalho é desenhado, comunicado e vivido pelas equipas.
Caos e talento
A tarde continuou com um momento intenso em que Ricardo Martins, CEO da Cegoc, entrevistou a Crew Manager da UECC, Carla Vieira sobre como gerir as equipas quando ocorre uma crise. A conclusão foi que culturas organizacionais fortes, liderança presente e equipas preparadas para responder são os fatores que realmente fazem a diferença. Em destaque, o apoio que procedimentos pré-definidos podem conferir quando é preciso tomar decisões dramáticas face a situações em que, por exemplo, é preciso abandonar o navio.
Passar da intenção à ação
A terminar o dia, Mafalda Lobo Xavier, Area Leader Employer Brand & HR People Lead Health & Beauty da MC Sonae, trouxe a “Cultura organizacional: Da conversa (a)fiada à ação alinhada”, para o centro da discussão. E revelou o essencial: o que é preciso para passar da intenção à ação, do discurso ao comportamento, da cultura que se anuncia à cultura que se vive. Destacou o valor do líder enquanto role model, pois tal como na educação dos filhos há que mostrar em que se acredita.
Os premiados
Por se tratar da 10.ª edição do People Engagement Survey, ainda atribuídos prémios especiais comemorativos que destacam dimensões particularmente relevantes para o futuro do trabalho. Entre estes, incluem-se o Prémio de Bem-Estar, Humanização e Dignidade, que reconhece a empresa que mais se destacou na promoção da dignidade e do bem-estar no local de trabalho; o Prémio Entidades Públicas, criado para reconhecer boas práticas de gestão de pessoas neste setor; e o Prémio 10 Anos, atribuído à organização que participou em pelo menos cinco das dez edições do estudo e que apresentou, de forma consistente, elevados níveis de satisfação e envolvimento dos colaboradores.
Prémio Prémio Bem-Estar, Humanização e Dignidade: CA Seguros, SA
Prémio Entidades Públicas: Lipor
Prémio 10 anos: Samsys – Consultoria e Soluções Informáticas, Lda.
As restantes premiadas foram:
Grandes Empresas (mais de 251 colaboradores):
1º Lugar Grandes Empresas: Zurich Portugal
2º Lugar Grandes Empresas: InnoWave
3º Lugar Grandes Empresas: Bondalti
4º Lugar Grandes Empresas: Turismo de Portugal. I.P.
5º Lugar Grandes Empresas: Plural Cooperativa Farmacêutica CRL
6º Lugar Grandes Empresas: Wellow Network, S.A
7º Lugar Grandes Empresas: agap2IT
8º Lugar Grandes Empresas: KCS iT
9º Lugar Grandes Empresas: Cuf
10º Lugar Grandes Empresas: Lipor
Médias Empresas (entre 51 e 250 colaboradores)
1º Lugar Médias Empresas: CA Seguros, SA
2º Lugar Médias Empresas: Samsys – Consultoria e Soluções Informáticas, Lda.
3º Lugar Médias Empresas: Codewin
4º Lugar Médias Empresas: José de Mello Capital
5º Lugar Médias Empresas: Real Vida Seguros
6º Lugar Médias Empresas: Cachapuz – Weighing & Logistics Systems, Lda.
7º Lugar Médias Empresas: Academia Transformar
8º Lugar Médias Empresas: Altronix – Sistemas Electrónicos Lda.
9º Lugar Médias Empresas: F3M Information Systems, S.A
10º Lugar Médias Empresas: Team.IT
Pequenas Empresas (entre 11 e 50 colaboradores)
1º Lugar Pequenas Empresas: AMCO Intermediários de Crédito
2º Lugar Pequenas Empresas: STANDOUT TECHNOLOGIES, UNIPESSOAL LDA
3º Lugar Pequenas Empresas: B-Training Consulting
4º Lugar Pequenas Empresas: LeaseCapital Lda.
5º Lugar Pequenas Empresas: Talento – Formação
6º Lugar Pequenas Empresas: MAGICWAVE, Lda.
7º Lugar Pequenas Empresas: InovaPrime – Serviços em Tecnologias de Informação, Lda.
8º Lugar Pequenas Empresas: Argon Group
9º Lugar Pequenas Empresas: Sysnovare – Innovative Solutions
10º Lugar Pequenas Empresas: Electrão – Associação de Gestão de Resíduos
Vencedores por macro setores de atividade:
Banca, Seguros e Serviços Financeiros
1º Lugar Grande Empresa: Zurich Portugal
1º Lugar Média Empresa: CA Seguros, SA
Consultoria e Serviços Profissionais
1º Lugar Grande Empresa: Wellow Network, S.A
1º Lugar Média Empresa: Samsys – Consultoria e Soluções Informáticas, Lda.
Hotelaria, Turismo, Desporto Ensino e Serviços Comunitários
1º Lugar Grande Empresa: Turismo de Portugal. I.P.
Indústria, Construção e Atividades Produtivas
1º Lugar Grande Empresa: Bondalti
1º Lugar Média Empresa: Cachapuz – Weighing & Logistics Systems, Lda.
Saúde e Farmacêuticas
1º Lugar Grande Empresa: Plural Cooperativa Farmacêutica CRL
1º Lugar Média Empresa: Academia Transformar
Tecnologia, Media e Telecomunicações
1º Lugar Grande Empresa: InnoWave
1º Lugar Média Empresa: Codewin
A voz da academia
No início do evento, o Professor Emérito do ISCTE António Caetano, mentor do People Engagement Survey, contou que este projeto resulta de uma tentativa de aplicar investigação que já realizava. “Quisemos conceptualizar um modelo que nos levou a criar um quadro de referência que pudesse servir para as empresas utilizarem ao longo do tempo”, explica. A ferramenta então criada deveria ser dinâmica e possível de renovação ao longo do tempo. “Foi isso que fizemos”, continua o professor. “O modelo tem quatro dimensões nucleares que podem ser renovadas mantendo o essencial”. O People Engagement Survey é, portanto, um Estudo que se manterá sempre atual e tem hoje a coordenação cinteífica entregue ao Professor Henrique Duarte que mantêm dinâmica da ferramenta.
Por sua vez, José Crespo de Carvalho, presidente do ISCTE Executive Education, referiu que o facto do People Engagement Survey se realizar há dez anos mostra que as parcerias, embora estabelecidas através de pessoas, são na verdade asseguradas por entidades. E valorizou a proximidade entre a Universidade e as empresas, ao afirmar que além de se assinalar este ano o 10.ª aniversário do Estudo, “é altura de se comemorar também o facto de a universidade estar próxima, senão dentro, das empresas”.
Este conteúdo foi produzido em parceria com a Cegoc.
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